SPFW 2026 / Amir Slama

Amir Slama é um cometa da moda. Primeira passagem foi com a Rosa Chá, marca que abriu em 1993. Fez sucesso pela ousadia de coleções de praia e verão. Passou a marca para a Marisol, depois vendeu para um grupo que inclui a Le Lis Blanc. Um dia, passo pela Garcia d´Ávila, em Ipanema lá está uma loja do Amir, onde já tinha sido a Jo&Co. Meses depois, cadê a loja? Neste meio tempo, viajamos em um grupo para Mônaco, a convite da DuPont, que na época produzia a Lycra. E vendeu a Rosa Chá para o grupo catarinense que inclui a Colcci. Passa um tempo, e faz um belo desfile com tecidos do guarda-roupa da Narcisa Tamborindeguy, na varanda do Copa. Agora participou da São Paulo Fashion Week. Manteve o pique da ousadia, com maiô que reproduzia o corpo feminino. Segurou a onda dos longos que podem ir a uma pool party ou a uma festa sem mergulhos. Amir Slama Aguardemos a próxima passagem do cometa Amir Slama na moda. Vale esperar. Fotos Fotosite

Agenda a partir de novembro 2026

NOVEMBRO DIA 05, QUINTA FEIRA  : Começa o Carandaí 25! O salão da moda autoral vai premiar novos talentos, ter oficinas e música ao vivo. E o melhor: 150 marcas mostrando suas coleções! Quando: de 05 a 08 de novembro de 2026 Onde: Jockey Club do Rio: Praça Santos Dumont, 31 / Gávea (RJ) DIA 6, SEXTA-FEIRA Show da turnê The Last Will & Testament, da banda sueca Opeth, do metal progressivo. É apresentação única, promovida pela Mercury Concerts Quando: portas abrem às 19h Onde: Espaço Unimed: rua Tagipuru, 795/Barra Funda (SP) Como: ingressos pela <eventim.com.br/opeth>. Preços a partir de R$ 350 (inteira) e R$ 175 (meia) para a pista. DIA 07, SÁBADO  Abre a exposição MEME: no Br@sil da memeficação, com curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli. Uma exposição que mostra como os memes contam o Brasil de hoje. Quando: dia 07 de novembro até 01 de fevereiro de 2027, a partir de meio-dia. De quarta a segunda, fecha às terças-feiras Onde: Centro Cultural Banco do Brasil / CCBB RJ:  Rua Primeiro de Março, 66, Centro – Rio de Janeiro/RJ Como: entrada grátis  DIA 10, TERÇA-FEIRA Francisca Bastos lança a coleção Amuletos, com joias de citrino, turmalinas, ametistas, topázios, granada e quartzo rosa. Para atrair energias e enfrentar os percalços do dia a dia. Eles acompanham na meditação, nos bolsos, bolsas. Escolham seu amuleto! Quando: de 10 a 12 de novembro, das 10h às 18h Onde: em Ipanema, marcar hora pelo (21) 2511-3146   DIA 14, SÁBADO Abre o Projeto Ecos, segunda edição do Fronteira Arte & Moda, reunindo artistas contemporâneos como Amanda Mujica, Antonio Bokel, Omar Salomão e Kitti Saladini O projeto terá coleção cápsula numerada e obras para vestir (a volta dà wearable art dos anos 1960 e 1970) Quando: dia 14 de novembro de 2026 Onde: Galeria Mercedes Viegas: Rua Abreu Fialho, 55 / Horto (Jardim Botânico / RJ) DEZEMBRO DIA 12, SÁBADO Hermes Inocêncio lança a coleção Rio, eu te amo, para o verão 2027 Quando: dia 12 de dezembro, a partir das 18h Onde: Rua Prudente de Moraes, 237 / Ipanema (RJ)   DIA 20, DOMINGO Xuxa estrela no Rio de Janeiro o espetáculo O último voo da nave Quando: dia 20 de dezembro às 19h Como: ingressos desde R$ 208 a R$ 820. À venda na <viagogo.com.br> Onde: Maracanã (RJ)

SPFW 2026 / Dario Mittmann

Podia ser um desastre total. Usar personagens de gibis brasileiros tende a ficar uma caricatura da caricatura. Até que o Dario Mittmann, vindo de Joinville (Santa Catarina) conseguiu mostrar algo além de um marketing de produtos da editora Panini ou dos estudios do Maurício de Souza, nosso bravo criador de histórias infantis (e olhe lá, que até hoje devoro as revistinhas dos netos). Além das referências aos personagens – nem sempre por mim reconhecidos -, a coleção Bagunça traz looks que independem das Mônicas e Cascões. Um vestido preto longo, com fenda, poderia ser simplesmente franjado nas bordas, em lugar dos pedaços de revistas. Há estampas grafitadas interessantes, um tanto punks. Vá lá que apareça uma cabeça de Mônica no meio das manchas e rabiscos. Aliás, quando Mônica aparece nas roupas, está sempre com a expressão raivosa de quem está prestes a dar uma coelhada. Como no look do ator e cantor Xamã, que abre este post. Dario parece gostar de um toque fantasioso na criação. E agrada até celebridades, como a cantora Shakira, que usou um figurino seu, super sexy no show em Copacabana. E mais: Dario realmente me surpreendeu com a solução para o tema das personagens. Tanto que confesso que estava até com uma certa preguiça de olhar a coleção. Mas vi tantos comentários, que resolvi dar uma olhada. É moda para um nicho, para a turma clubber, punk, ou que só quer se divertir. Só acho que o tema Imaginários, usado nesta edição da SPFW leva a moda a uma direção distante do comercial. Ok, alguém tem que inovar, um evento atual deve olhar para o Futuro. Mas a Casa dos Criadores cumpre este papel. Sinto falta de uma Gloria Coelho, de um Reinaldo Lourenço ou de uma Modepars. Aquela coleção que dá vontade de pular na modelo e vestir o look do desfile.   

Dragão Fashion, quinta-feira

Nem metaverso, nem cápsulas: o Dragão Fashion segue em frente, acreditando na criação e em novos mercados fí­sicos. Nunca tinha visto evento que recebe agradecimentos por parte dos patrocinadores. Parecem todos felizes pela oportunidade de participar das ações inventadas pelo Cláudio Silveira. Na quinta-feira, segundo dia de desfiles, vimos estas propostas: Bruno Olly: ao som de Donna Summer (irresistí­vel “feeling love”), a coleção Não existe Paraí­so foi impressionante. Porque não se define como masculina ou feminina- eu queria muitas peças-, ok, isto já se faz, como estilo sem gênero. Mas poucas vezes vi uma tal perfeição de alfaiataria, mesmo nos looks mais conceituais. Todas as peças são básicas, mas com cortes inovadores: o paletó tem recorte transpassado nas costas, o trench é todo montado em cortes diferentes, um vestido com franzidos (ótimo), em cinzas, rosas com grandes mangas, um camuflado em tons de laranja e marrom, em padrão de folhas e flores. Bom ver que em vários looks extravagantes, há calças extremamente clássicas, impecáveis, enfim a mistura de ousadia e classe   Vestido cinza para homem, mulher ou quem quiser usar, do Bruno Olly Sand Blu: quando pensamos que tudo já foi feito na moda praia, me aparecem os sutiãs com penduricos, os biquí­nis com alças duplas laterais, uma com lacinho e outra com metalzinho na ponta, corseletes em vez de sutiã. No final, uma série prata, de shorts e saiotes. Interessante, os acessórios em alguns looks, metros de cabos enrolados nos corpos. As belas conectadas!   Foto 2 Final da Sand Blu, em primeiro plano o look prata Vitor Cunha: um dos meus favoritos, desde a série de macramês da última coleção. O tema Alomorfia trouxe libélulas nos rostos, e resultados mais comerciais, como as mangas de crochê nas vestes, as peças montadas em quadrados de crochê em azuis e verdes. Ou na camisa que parece ao contrário, com zí­per vertical na manga. Na jaqueta vermelha com enviesado na barra ou na túnica também vermelha. Nos acessórios, luvas estilo Wolverine, de dedos com garras e um turbante com pontas longas. Vitor, confesso que esperava mais! Foto 3 e 4 Tons rosas e vermelhos, nas mangas de crochê e nos franjados do Vitor Cunha   Vi lingerie: é lingerie ou moda Party? Quem esperava camisolas, calcinha e sutiã recebeu saias longas, corpetes com amarrados nas costas, bustiês de babados. O que podia ser considerado lingerie era a cartela de preto, nudes e vermelhos. Eu bem gostei da Vi.   Foto 5 Camisolas ou festa: duvida boa na coleção da Vi Lingerie Lindebergue: começou na cova, lúgubre, todo em preto com camadas e pufes de tule. Corações desenhados e recortados enfeitavam vestidos. A estampa de gente aparece em túnicas, alguns looks têm estrelas e faixas. Além de clássicos mocassins pretos, sandália de base alta completaram o final da parte negra, no final, ao som de Guns & Roses, destaque para os suéteres com muitos punhos ou mangas enormes abertas, em barras bordadas de marrom (mais uma vez lembro que a luz da sala engana nas cores, poderia ser laranja, caqui, etc). Nem precisava gastar palavras descrevendo roupas. Lindebergue nos conquistou de cara, apresentando e agradecendo à equipe do ateliê, contei 15 petit mains, bordadeiras, rendeiras, costureiras, modelistas maravilhosas.   foto 6 Eu sei eu sei, está sem foco,é só pra mostrar a túnica com estampa de humanos do Lindebergue Ivanildo Nunes: amiga celebridade: precisa de um traje épico para um tapete vermelho do Oscar ou subir os degraus do Metropolitan? Fala com o Ivanildo e arrasa com um longo de renda amarela com bordados de brilhos. Ou um branco com saia etérea, leve e volumosa. Ou quem sabe, o vestido de alças duplas assimétricas em laranja e amarelo. Minha recomendação: os tons de vinho vibrante do final da apresentação. Amiga, a Reuters, a AFP, a Getty, todas as agências de fotos vão pedir para você parar e sorrir para a foto da serie de bem vestidas do evento.   foto 6 Longos para os red carpets, do Ivanildo Nunes  

SPFW 2026 / Handred

Lembranças de viagens são subjetivas. Já ouvi amigas comentando que detestam Paris, uma cidade muito velha, que a comida era horrível. Em compensação, companheiros de um grupo de jornalistas de turismo acharam graça da invasão de macacos no café da manhã em um hotel da África do Sul. Enfim, lembranças dependem de quem vive aqueles momentos.  O André Namitala se encantou com o Japão. Além de referências em alguns trajes orientais, nas casas de banho, tecidos preciosos e nas lindas cerâmicas, ele trouxe a trilha para o desfile da Handred.  A música de um show de moda é um fator importante. Pelo que vi no vídeo, senti que ia no mínimo desconcentrar com os tambores Taiko, do grupo Todoroki Daiko, de Osasco. São maravilhosos como espetáculo. Mas para uma apresentação que durou mais de 10 minutos, achei demais. Ou você desfila ou apresenta os tambores.  Sinto começar o comentário pelos tambores, por aí dá para ver como competiram com a coleção. Mas vamos à Vapor em Curso, nome do inverno da Handred. Entre looks femininos e masculinos, há bermudas largas, algumas com brilhos de bordados, calças com corte arredondado, boas sobreposições com coletes, algumas intervenções em dourado.  Namitala tem seguido um rumo diferente do visto nas vitrines da loja de Ipanema, quando as peças em linhos e cores neutras eram a cara do Rio. Desde o RioFashion seu empenho parece ser mais vanguarda, mostrar um estilo mais dirigido para um público que exige originalidade, mais do que a elegância básica, com as alterações do André, que diferenciavam a marca de roupas banais. O destaque desta Vapor em Curso é a linha de trench coats. Desde o quase clássico até um maxi, perfeito para as passagens pelos tapetes vermelhos ou pela paradinha no backdrop (quem disse que precisa chover para vestir um belo trench?) E mais: sobre as músicas de desfiles, também tenho lembranças. Uma das melhores foi encontrar no meu lugar uma fita cassete com a trilha do desfile do Valentino. Outra, a ColdSong, cantada pelo Klaus Nomi, em um Balenciaga (aquele tipo de música que a plateia desconhece e sussurra “quem é? Que música é esta”). Todas as músicas escolhidas pelo Ronaldo Fraga. Ou a Anunciação, do Alceu Valença, ouvida com um sanfoneiro ao vivo em um desfile no Dragão Fashion. Foi arrepiante, só não lembro a marca, desculpem. Outra experiência inesquecível foi um desfile da Second Floor, quando era apenas a frase You can talk to me era repetida (verso da música Hey Bulldog, dos Beatles). Ou uma Alta Costura do Yves Saint Laurent ainda vivo, sem música, só o barulho de passos. Entre os DJs, aposta certa é no Zé Pedro, capaz de ir da bossa nova a um jazz intrigante. Algumas sugestões que funcionariam, sem competir com a harmonia das coleções: A matter of feeling (Duran Duran), a Magic, do Coldplay. Algum Michael Jackson, como o Off the Wall. Para uma moda praia, a Cheia de Charme, do Guilherme Arantes. Nada contra batuques, lindos do Todoroki Daiko, ainda vou assistir só vocês, sem passagens de bermudas e trench coats. Já tivemos um desfile da Salinas, dirigido pelo brilhante Gringo Cardia, com a passarela ladeada por integrantes de uma bateria de Escola de Samba. Maravilhoso.  

SPFW 2026/João Pimenta

Criar moda masculina é um eterno desafio, porque são raros os consumidores para qualquer estilo que saia de um padrão reconhecível. João Pimenta é um dos autores ousados que enfrentam críticas como “não entendo o que que acontece com a moda brasileira”, um dos muitos comentários nas redes sociais. Munida deste tipo de preconceito (pré-conceito) assisti ao video. Confesso que esperava rebeldias maiores.  Gosto da afirmação corajosa de ter se inspirado na moda feminina. Daí, as basques finalizando coletes e vestes. O body, peça que acho de uso complicado mesmo para as mulheres (ir ao banheiro exige uma certa estratégia). O macacão frente-única, exibindo os músculos do modelo. Por estes looks dá para ver que é uma coleção perfeitamente adequada também para as mulheres.    Em preto, branco e tons de cinza, só. Franjas louras nas cabeças do elenco (quero uma!). Destaque para a camisaria, perfeita, branca, algumas com um traço preto horizontal, talvez substituindo a gravata? O que não curto: as bolsas, nem para uso feminino, muito rígidas.O maximalismo da parte final do desfile, lembrando o estilo dos pretos americanos da era do jazz. Caramba, que paletós ombrudos, quadrados! E o corte largo e fluido das calças. Esta é pura alienação minha, porque há quem precise de calças maiores – por exemplo, quem está de gesso ou é cadeirante. Desculpe, João Pimenta, por só pensar nos corpos padrões.  Nem leia os comentários também ignorantes das redes sociais. E mais: no mundo todo a moda masculina é o tal desafio. Lembro do Hedi Slimane, quando estreitou toda a modelagem dos ternos, na Dior masculina. Só mulheres compravam os ternos de calças justas. O que depois derrubou as calças sociais clássicas, de pregas. No Brasil, Luiz de Freitas foi o máximo de criatividade, uma ousadia válida até hoje. Mr. Wonderful era colorida, combinava peças e estampas de formas divertidas. Temos Ricardo Almeida, mestre do terno cobiçado pelos executivos, mas com coleções que sempre remetem aos seus começos, quando lançava jaquetas de motoqueiro (até hoje, cria lindas). Enfim, vamos acompanhando o Pimenta, que pelo menos consegue nos surpreender com as propostas.

SPFW 2026 / Catarina Mina

A marca da Catarina Mina começou no Ceará, mas já trabalha com artesanias do Rio Grande do Norte e do Piauí. Tudo é coerente, já que o tema da coleção fala do sertão e da chuva, é Bonito pra chover. Representando a chuva é onde ficam os destaques de bordados como o richelieu, as rendas de bilro, o crochê e os tecidos de tear. Nas estampas, imagens de vegetações depois das chuvas.Uma proposta bonita, urbana, enfatizada pelo uso dos tênis com os vestidos em finas organzas de seda. Belo trabalho. Styling: Daniel Ueda Trilha: Max Blum Fotos Fotosite E mais: repararam o número de marcas vindas do Norte/Nordeste? Os autores aproveitam e redesignam o trabalho das artesãs da região. Gente que já atraiu pesquisadores europeus em busca dos bordados e tramados originais, que já se perderam no hemisfério norte. Com o toque do design atual, saem coleções ótimas. 

SPFW 2026 / Ronaldo Fraga

Emoção, detalhe eterno nas apresentações do Ronaldo Fraga. Este projeto Sou de Algodão confirmou este sentimento. Com o tema Cartas de Algodão, desfilado na sala com varais de roupas penduradas, Ronaldo criou looks de retalhos, de estampas de caligrafia e até roupas no tom do envelope de papel kraft, algumas com golas vitoriana. Bonito? Muito. Usável? Não importa, são obras sentimentais, que ainda por cima valorizam nosso precioso algodão. E se querem saber, vejam que lindas peças na minha humilde seleção de fotos.  Este cara inteligente, culto, às vezes mal compreendido, parece um escritor. Ele conta histórias através de roupas. Defende causas sem medo – basta lembrar o desfile com um elenco de trans. Preserva a memória das maravilhas brasileiras, como fez com a coleção dedicada à Nara Leão.  Ou como reforçou a emoção deste desfile com a trilha começando com Taiguara cantando Hoje (snif, snif, lágrimas). Amo as coleções do Ronaldo Fraga. E as histórias que ele me conta. E mais: achavam que eu tinha esquecido dos meus coreanos? Pois o desfile do Ronaldo me lembrou de um livro: A loja de cartas de Seul, da Baeck Seung-yeon, no Brasil, pela editora Intrínseca…. Simples e comovente. fotos Fotosite

SPFW 2026 / Artemisi

O que seria uma matéria sagrada? Uma Holly Matter, tema da coleção da Artemisi, assinada por Mayari Jubini, é um trabalho que impressiona pela coragem de unir o manual ao tecnológico. Um desfile difícil de descrever, tal a variedade de técnicas. Que podem ir desde o bordado artesanal de cristais, incluindo máscaras, até peças que saem de impressoras 3D, segundo as explicações prévias. Até no Google, Mayari é citada como criadora que utiliza técnicas que pouco têm a ver com o padrão normal de tecidos, linhas e agulhas. Nesta coleção a importância para um vestir real é o corpete, modelando o busto, marcando a cintura, em geral, de material metálico. Há longos transparentes e suponho que penas – quem sabe, são tiras saídas de uma HP 3D? Pensando como leiga, sem a pretensão de explicar como repórter ou editora, tenho duas questões: primeiro, como suportar o peso de um macacão todo de cristais, como visto no modelo masculino, ainda por cima de máscara também bordada. Em segundo lugar, como atender à cliente que se apaixona por um destes minis anatômicos, que modelam o corpo quase como esculturas? Um trabalho incrível, este da Artemisi.  Não sei se é sagrado, mas não parece humano. Styling: Daniel Ueda Beleza: Helder Rodrigues Direção: Augusto Mariotti Fotos Fotosite

SPFW 2026 / Martins

Pelo que sei do currículo, Tom Martins é adepto do maximalismo. Discordo um pouco, já que nesta coleção em que homenageia colegas internacionais como Marc Jacobs, Margiela, Vivienne Westwood, McQueen e John Galliano, o maxi está na maneira de montar as peças, resultando em um volume um pouco acima do normal. As peças em si, em geral mantêm proporções quase normais. As homenagens têm a graça da admiração pelo trabalho alheio, sem perder o valor próprio. Como não lembrar dos pied-de-poules do Jacobs, vendo as interpretações do Martins? E o mistério das máscaras, típico do Margiela (ou da dupla Viktor & Rolf). Ou as saias sobre calças, tão Galliano? Coloquei poucas fotos de jeans, franjados e desfiados, porque ele já faz seu caminho neste tecido. Muito boa a mistura de rendas – elas estão presentes em muitas coleções aqui e no hemisfério norte) e camuflagem. Segundo o André Do Val, que faz ótima cobertura no site do evento, há aproveitamento de estoques de tecidos, conjugados com tiras de pelúcia. Direção: Ed Benini Styling: Cacau Francisco e Anuro Anuro Beleza: Laura Lalaina Trilha sonora: Murilo Faria Fotos: @agfotosite

SPFW 2026 / À la Garçonne

Pouco a dizer sobre esta coleção. Ela é tão bem editada, tão coerente, que poderia ser resumida em poucas palavras. Tipo, camuflagem, flores, atemporal, renovação de ícones, como os xadrezes. A marca nasceu como uma espécie de brechó vintage, aberto por Fábio Souza, em 2009. Alexandre Herchcovitch entrou em 2016 como diretor de criação, junto com Fábio Souza. Em 2024 Fábio assumiu a criação sozinho. Neste desfile, foi seguida a linha original, com um resultado que parece confrontar um estado de guerra e um renascer da Natureza, a julgar pelas flores e a delicadeza dos bordados sobre tules. Uma bela reinterpretação do espírito da À la Garçonne. Até a concessão a alguns vestidos mais festivos, longos, deu certo, graças aos sapatos pesados, pretos, no lugar de sandálias ou botas de saltos altos e finos. Humm, alguns casacos camuflados davam vontade de pular e tirar do modelo que vestia. Fotos agfotosite E mais: confesso que tenho afeto especial por camuflagem. Lembro do meu pai, quando saía para as manobras do Exército. Lembro de amigos como o Jamie, que usava as calças desde que morava em Nova York. E lembro da minha euforia quando finalmente consegui ter uma calça camuflada comprada no Lixão (não exatamente uma loja, era mais um caixote gigante coberto de fardas de soldados americanos, no shopping da rua Siqueira Campos, o menos prestigiado da cidade).