Enfim, alguém se atreve a contar tudo sobre a moda masculina: há alguns anos o colega Lula Rodrigues se empenha em destacar a roupa dos homens como tema de seus posts e facebooks. Agora o livro 400 Anos de Moda Masculina está pronto, prestes a ser lançado no dia 10, durante o Veste Rio, no Pier Mauá, na sala de palestras, no setor do outlet.

O próprio Lula deve estar presente, se recuperando de um problema de saúde, mas sem perder a animação. Tive a sorte de receber as provas do livro, uma gentileza da Editora Senac Rio. E afirmo que quem se interessa, trabalha ou simplesmente veste a moda, seja homem ou mulher, ou o que quiser ser, tem que ter este trabalho do meu companheiro de filas A nas semanas de desfiles. Para detalhar a qualidade do produto basta dizer que é uma obra sobre moda sem fotos, apenas algumas ilustrações bem didáticas. Porque o que importa é a integração da moda com os fatos, os movimentos da civilização, a sociedade destes quatro séculos. Tanto que cada capítulo começa com os fatos importantes de cada época, o que ajuda a localizar e justificar as modificações em cada casaco, em sapato, até nos cuidados com barbas e cabelos.

No dia 10 estarei lá para conversar sobre a novidade com a mediação da Marina Caruso, e para levar para casa o meu autógrafo.

Querem ler um trechinho que considero dos mais importantes, porque desmistifica a aura de irresponsável de um dos personagens mais marcantes quando se fala de moda masculina:

“Luis XIV foi, inquestionavelmente, o primeiro “pavão” da moda masculina. Sob sua batuta, os trajes dos homens passaram a ser ricos e ostentosos. Suas roupas – copiadas por todo o mundo de sua época – eram verdadeiras obras de arte. Entretanto, não foi apenas este seu legado.

O Rei Sol patrocinou o trabalho de escritores como Voltaire e do dramaturgo Moliere, figuras de destaque do Iluminismo, com obras que arejaram o pensamento ocidental. Os diamantes e o champanhe, por exemplo, tornaram-se sinônimo de sofisticação durante seu reinado. O mesmo aconteceu com a gastronomia francesa, com seus chefs, bem como com o conceito de butiques de grife e com os salões de cabeleireiros.

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Foi ele quem inventou o conceito da sobremesa. Até o século xvii, os doces eram servidos com os pratos salgados nas refeições. Foi dele também a ideia de iluminar Paris à noite.Tal prática mudou hábitos e costumes e alterou o funcionamento das cidades. Durante todo o Renascimento, a pérola era considerada a mais nobre das joias. Um dia, um joalheiro mostrou ao Rei Sol um diamante que havia trazido da Índia, e ele se apaixonou pela pedra. Deu-se assim, um verdadeiro boom no mercado joalheiro. Em 1669, o rei gastou o equivalente a US$ 75 milhões em moeda de hoje para comprar todos os diamantes disponíveis, e os alçou a objetos desejados em toda a Europa. Luis XIV profissionalizou o luxo e o projetou para a história.”