No começo dos anos 1970 a editora Gilda Chataignier me convocou para a cobertura da Fenit (Feira Nacional da Indústria Têxtil) em São Paulo. Como desenhista do caderno feminino, eu percorria sozinha os espaços, registrando as novidades. Até que vi uma porta aberta para uma sala escura, cheia de gente sentada. Entrei, fiquei em pé, de boca aberta: era um desfile de casacos longos, vermelhos, as modelos com adereços de pele na cabeça.
Naquele momento soube o que queria fazer da vida: acompanhar maravilhas como aquele desfile
Foi meu primeiro Valentino, que decidiu meu futuro profissional, esta paixão pela moda como Arte.
Depois do impacto em São Paulo vi em 1980 outra coleção dele. Naquela época Valentino ainda não participava do calendário oficial da semana de Paris
Sua apresentação era às 18h, a fila A só tinha jornalistas americanas, pouca ou nenhuma francesa! E eu, reporterzinha brasileira, também na primeira fila! O estilo era Western, com muito branco, desde as botas até os casacos. Um longo vermelho no final
O mais engraçado é que muita plateia fazia questão de ir, porque quando acabava a moda, era aberto um bufê de cascatas de camarão e fatias de salmão. Enquanto isto, rolava algum desfile oficial, provavelmente vazio, longe da beleza e da recepção do talentoso italiano em uma sala no Bois de Boulogne.
Valentino vendeu a marca. Os designers que assumem até mostram talento. Mas nenhum tem a personalidade do Garavani. Sabem aquele que tem torcida? Na platéia, esperávamos a entrada dos vermelhos, do elenco, do estilo da beleza.
Ah, um toque a mais: para mim, foi o melhor brinde dos eventos. Em cada lugar havia um release e…uma fita cassete com a trilha do desfile!
Vai dar saudade do discreto, ao mesmo tempo, audacioso homem eternamente bronzeado, sempre de terno e gravata, sorridente.