Inverno 26 NY / Marc Jacobs

Como analisar uma coleção? Pelas roupas desfiladas ou penduradas em cabides, por fotos, por vídeos? Ou por referências pessoais, focadas em quem criou, em seus trabalhos já vistos, talvez em situações marcantes?
A coleção do Marc Jacobs, abrindo a semana de Nova York, passa por alguns argumentos destes tipos. O fato de ter acompanhado sua trajetória enquanto era diretor de criação da Louis Vuitton. A primeira vez que vi Pharrell Williams como DJ em um evento (que nào deu certo, o som teve algum problema). Até as trilhas sonoras, que provocavam a corrida até a Virgin para comprar o CD.
Portanto, não esperem uma análise simples. Vamos lá:
A estrutura é reta, estreita. Saias de cintura alta predominam. No colorido, muitos neutros, mas alguns azuis e rosas – lá vem a lembrança: ele sempre incluiu algum tom de rosa -, um terno, alguns casacos mais longos. No geral, é uma mulher sem curvas, vestida como um tubo. Nada de sapatos extravagantes nem bolsas esquisitas.
No fundo, é uma coleção simples, comercial, apresentada desta forma reta. Há alguns centímetros de corpo visível em certos looks em que a cintura desce em calças. As meias pretas voltam fortes.
E aí vem o que complica a análise. O conceito, a ideia de Marc Jacobs sobre a criação:
Lembranças, tanto amargas como belas, são uma faculdade, um propósito de influenciar ações atuais e futuras – quem somos, o que criamos, o que deixamos para trás e o que levamos em frente.
Pronto: sei lá o que isto tem a ver com as mulheres retilíneas, mas já me conquista. Dá vontade de conversar com ele, de falar das boas lembranças que ela deixa, da admiração pela coragem de ter trabalhado em um país na época ainda cheio de preconceito contra jovens não-franceses. De ter levado uma marca que só fazia malas e bolsas ao patamar de lançadora de estilos em roupas e consumo de moda em geral.
Como uso este espaço para contar como foi, quais os destaques, sigo a tradição de apontar o que vai valer apostar o cartão de crédito a partir de setembro deste ano (se não for nas lojas físicas, no site, na Farfetch, etc). E o que provavelmente não vai favorecer mulheres curvilíneas, que gostam de se impor pela figura.
As fotos estão fora de ordem, estratégia do Pixrl Editor. Vai entender.
Cartão a postos:
Os casacos. O azul tem impacto, desafia as nevascas (foto 13). Ou o mais delicado (foto 7).
O look em jacquard (foto 4).
A combinação de tons em vermelho escuro (foto 5)
O tailleur de saia mais baixa (foto 22)
Os vestidos tomara-que-caia, de alcinhas, que agitaram a plateia (fotos 6, 16 e 18)
Pense duas vezes:
A mistura de rosas (foto 17). Talvez funcione em peças separadas
O microvestido azul (foto 20)
Os looks 9 e 10. Ficaram piores na foto, com esta pose das modelos
Camisa branca é sempre uma boa aquisição. Mas deste jeito…(foto 12)

E mais: o elenco que desfilou incluiu a gaúcha Gabriela Nied (@gabi_nied), 21 anos, da Way Model.
Olha ela!