Admiro Michael Kors desde que, nos anos 1980, ele assinava Céline. Era um trabalho elegante, feminino, glamoroso. As colegas francesas do meu lado na platéia, comentavam que um americano jamais saberia criar para uma marca francesa. Mal sabiam que os anos 1990 trariam designers de todos os lados, com a formação dos grupos reunidos por empresários que sacaram o poder financeiro da moda. Salvaram muitas marcas, mas em troca substituíram os estilistas originais pelo pessoal recém-saído das escolas de moda inglesas, japonesas e alemãs (bem, Lagerfeld já tinha experiência, e foi para a Chanel, que até hoje é independente).
Pois Michael Kors continua o estilo elegante, chic, feminino. Para os homens, é sóbrio, sem ser careta. 
Muitos vermelhos, muitos casacos de cashmere, pretos em vários comprimentos, sem cair em minis e micros, que interessariam a um público jovem que não é o seu. Se esfriar muito, como neste atual inverno no hemisfério norte, sugere casacos peludos volumosos. Não garanto serem sintéticos, às vezes nem tocando dá para distinguir. Só vestindo, e como não visto pele de animal, nem digo nada.
As bolsas não ocuparam lugar de destaque no desfile. As Carminhas das nossas novelas vão sentir falta. Mas há lindas camisas e tailleurs assimétricos surpreendentes. Senti uma certa dificuldade de descrever alguns looks com tiras penduradas, uns rabos inesperados. Mais uma vez conferi com colegas e me diverti com a descrição da Nicole Phelps, da Vogue, justamente de umas caudas saindo de bolsos: “não sei como chamar isto”(I-don’t-know-what-to-call-them). Ela se referia a peças que pareciam calças, vistas de frente, mas na verdade eram saias longas, com cauda.
Confirmando o foco nas executivas de alto nível, Kors criou looks brancos, de inverno. Sempre lembrando o que dizia Valentino, que branco era roupa de mulher rica, que andava de limusine. Uma tática que dá certo, Michael Kors celebra 45 anos de atuação na moda.
E para completar o chic, o desfile foi na Metropolitan Opera House, no Lincoln Center, com todos os lustres e o teto dourado como cenário.
Agarra o cartão
Se segura, para não acabar com o limite do cartão. Mas não perca a chance de ser chic uma vez na vida. Nem que seja por uma camisa azul, perfeita para todos os climas.
Vai para a cabine de provas
Em todo caso, não invista antes de vestir as peças mais ousadas, como as tais calças-saias e as assimetrias. 
E mais: meu inglês deu uma travada, ao ler uma notícia sobre o Lincoln Center. Seria fake news, que estão considerando vender os murais de Chagall para levantar as finanças da instituição?/ nos anos 1980 a marca Celine ainda mantinha o acento agudo no primeiro E. Quando Hedi Slimane assumiu a direção, aboliu o acento, porque era motivo de dúvidas para a imprensa.