Decididamente, são tempos estranhos. Fala-se mais de saúde mental do que física. Nos espantamos com o preço de uma passagem Rio-Paris custar menos de R$ 3 mil e uma Rio-São Paulo, se comprada na hora de embarque chegar a custar R$ 1000. Outra: depois do Pix, quem ainda tem notas ou moedas na carteira?
Pode ser otimismo, mas parece que o dinheiro anda perdendo o prestígio. Não que as coisas dispensem os preços, mas há sinais de valores além dos dólares, reais, euros, yens.
Esta conversa vem de uma mudança em um setor que sempre prezou pelos valores: a joalheria. Desde os anos 1970 pequenos colares com minúsculos diamantes derrubaram muita vitrine de grandes esmeraldas, correntes grossas de ouro, rubis e outras preciosidades. Começava no Brasil a era do Antonio Bernardo, que sempre soube encantar com o cordão quase invisível, onde brilha um diamante minúsculo, mas de alta qualidade.
Agora, uma história mais antiga: desde os anos 1700 um senhor Georges Friedrich Strass começou a criar uma mistura de vidro e cola, que dava brilho especial aos cristais de rocha do fundo do Rio Reno. Pensem: é o strass, do sobrenome dele para nós, em português e rhinestone (pedra do Reno) para os ingleses.
Chegando mais perto, podemos lembrar que Gabrielle Chanel não tinha preconceito de misturar jóias com bijuterias. E que Elsa Schiaparelli se aliava ao surrealista Salvador Dali para lançar colares com pingentões em forma de lagostas.
E agora
Nos Estados Unidos a onda é o statement necklace. Ou o colar que se afirma, que se destaca, personaliza. Na prática, significa pendurar no pescoço um diário de lembranças pessoais, amuletos, personagens. Ou simplesmente pegar tudo o que está na caixa de acessórios e cobrir o pescoço com contas, cristais, pérolas (falsas ou verdadeiras).

Colar Denise Faertes (foto Ines Rozario)
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Vejam bem: falei AGORA nos USA. Porque lá vem mais uma prova da nossa moda brasileira. Porque não é de agora, faz tempo que a Denise Faertes, artista plástica e estilista com a marca Fruto do Conde, monta colares com miniaturas de brinquedos, amuletos, bichinhos, dados, para acompanhar suas roupas pintadas à mão. São obras de arte, que valem por um vestido de Alta Costura.

Denise Faertes, da Fruto do Conde

Colar três Galinhas, da Lola
Mais novinha, mas não menos original, é a Lola, que conheço do Shopping da Gávea. Primeiro, era coleção feita para a Farm. Com o sucesso, valeu abrir a marca própria, com todo jeito colorido e divertido da Farm. Um hit: o colar Três Galinhas. Tem fila de espera!
- Conchas por Juju Vera
- Fios de pedras coloridas da Area
- Tailleur de tweed com colar Dont let Disco
- Estilo oceânico, de Lizzie Fortunato
As versões americanas
Juju Veras: conchas em profusão, tanto formando o colar como únicas, misturando vários cordões
Lizzie Fortunato: estilo oceânico, ainda com jeito de calor, em tons de mares
Area: todas as cores possíveis, formando quase uma pala. Perfeito para looks pretos
Dont let Disco: a começar pelo nome da marca, a ideia irreverente da sugestão é acompanhar os tailleurs Chanel
Presley Oldham: sobrinho do designer Todd Oldham, se viu sozinho em uma fazenda durante a pandemia. Começou a montar colares e pulseiras, em pratas e contas, para aliviar o tédio. Quando o lockdown acabou, sacou que tinha uma marca. Que atualmente agrada até ao cantor Harry Styles, um dos novos ícones de moda global.
- Harry Styles com colar Presley Oldham
- O coração que bate, em Schiaparelli





