Criadores cansam, claro. Inventar duas coleções de prêt-à-porter, uma Alta Costura, duas masculinas, uma resort, no mínimo, esgota as ideias depois de algumas décadas. A aposentadoria é uma saída. Que nem sempre corresponde ao espírito original da marca.
Quem teve o privilégio de assistir aos desfiles do Jean-Paul Gaultier nos anos 1980/90, sabia que aquilo era mais do que apenas moda de vestir. Ele começou a alfaiataria feminina em risca-de-giz, as estampas inspiradas em temas africanos, as transparências. As modelos atuavam, fumavam na passarela, brincavam com a plateia e os fotógrafos.
Agora temos o holandês Duran Lantik, na quarta coleção. Entre revirar os arquivos da marca e inventar adaptações distantes das originais, ele deixou a desejar. Sem graça, as vestes com aberturas na frente, dispensáveis as manobras de silhuetas vistas em detalhes na sala espelhada, assim como os kilts e as microestampas. Os xadrezes, hummm. O que pode ser tentador: as camisetas com Junior Gaultier na estampa, para usar por baixo dos tais buracos nas roupas, Nem pensar nos sutiãs de cone (referência no figurino famoso da Madonna}.
Faltou o lado festivo do Gaultier. Adorei um comentário no WWD: esta é uma coleção de Primavera mais cold (fria) do que cool.