Mais uma vez, falo do trabalho em couro na nossa moda. Desde 1990 criadores como Patricia Viera deram um upgrade no que era apenas um material para roupas esportivas, jaquetas básicas e calças justas. Outros destaques foram Vera Benchimol, o casal Pascale Vuylsteke e a dupla Frankie Amaury.

Ainda não pude ver a coleção da Patricia, mas vi de perto as criações da Carol Rossato, que acaba de abrir loja no Shopping Leblon, celebrando mais de 25 anos de moda (desfilou no Fashion Rio pela primeira vez em 2007). Um bom exemplo da categoria da nossa moda neste setor que envolve curtumes, tingimentos, recortes mas tenta ser o mais sustentável possível.

O top que está junto com a calça é de crochê! De restos de couro, feito por artesãs (foto Ines Rozario)

Por exemplo, a Carol apresentou lindos modelos de tricô manual, feitos com retalhoes de couro pelas artesãs da ONG Pipa Social. Além dos tricôs, há tressês, drapeados, rendados e – importante, porque em geral não me agradam – franjas! Logo de cara, a própria Carol provou que franjas dão certo, estava franjada, de couro. E elegante, linda! Disse que era influência boho, assim como os incríveis bordados richelieu a laser ou a mão!

Carol Rossato, na frente da nova loja (foto Ines Rozario)

Além das cores básicas, incluindo um branco de vitrine, a coleção tem um tom que não é nem vermelho nem pink. Na prévia, chamava de “granada”, na loja, era “cereja”. Bonita, a cor.

Os preços da Carol começam em cerca de R$ 1.800 por um top-

Acessórios: bolsas originais, tanto no tricô de couro como em formas geométricas, cilíndricas, com borla.

Uma das bolsas da coleção, modelo cilíndrico (foto Ines Rozario)

Dois estilos em branco, na primeira vitrine (foto Ines Rozario)

Os perfumes da Jo Malone, marca parceira na abertura, provaram que são fragrâncias tudo-a-ver com couros. 

E mais: O shopping Leblon está crescendo no caminho da exclusividade e do requinte, que nem sempre significa luxo e preços altos. Duas lojas chamaram a atenção: a da Maria Frering, de joias e a Not a Shoe, com sapatitos tentadores. E a Mondepars, da Sasha Meneghel, discretamente em uma das partes curvas do shopping.

Para quem ainda pensa o que seja o estilo Boho: a palavra deriva de Bohemia, uma região européia, na atual República Tcheca e arredores, limitada ali pela Áustria, uns pedaços da Alemanha. Na moda, a referência misturou um romantismo nos materiais estampados, misturados e um ar que lembra o período hippie, mas mais arrumadinho. Tem uma mistura com jeito cigano.