A Air France estava lotada, fui de KLM, via Amsterdam. Não há muita diferença de tempo de vôo, a empresa é corretíssima, a comida, boa, o pão do café da manhã, mesmo na Econômica, vem quentinho (coisa que, na Air France, não acontece, o pão é gelado e duro que nem pedra), a tripulação, gentil, sem exageros. A conexão não dói, dá para passar pelo aeroporto de Schiphol e fazer planos de compras para a volta, o vôo Amsterdam-Paris dura 45 minutos.

Normalmente, a volta seria no mesmo timing – embarca em Paris de manhã, 9h, pega o vôo diurno (adoro vôo diurno) para o Rio às 10h45, por aí. O que obriga a estar no aeroporto de Paris às 7, sair do hotel às seis, acordar às cinco. Convenci o atendente a deixar embarcar de Paris na véspera, quando comprei tudo por telefone (pela internet, para variar, o sistema estava caído).

E aí, tínhamos que reservar um hotel de aeroporto em Amsterdam, para passar a noite (depois das compritchas em Schiphol – pronúncia local, srrífol). A escolha foi um tal de CitizenM, o melhor preço pelo Booking.com. Passamos a temporada parisiense, nos intervalos dos desfiles e envios de matérias, tentando saber se o CitizenM era dentro do aeroporto ou tinha que pegar táxi. Isto acontece muito, o hotel ser na região do aeroporto, como em Miami, onde o maravilhoso Hilton Airport fica a uns bons cinco minutos de carro, apesar de ter vista para as pistas.

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Só soubemos perguntando em balcão de informações, já em Amsterdam. “Sai do aeroporto, anda reto para a direita”, foi a explicação. Frio, frio, malas, mochilas. Cinco minutos de caminhada em calçada coberta, aparece o prédio cinza, sóbrio, só com um baita M na lateral.

Dali em diante, foi um dos pontos altos da temporada. O CitizenM é moderno, colorido, bem-humorado e principalmente funcional. O quarto tem feitio de corredor, mas inclui tudo o que se precisa para poucas noites de estada

citizen janelaChuveiro e WC ficam dentro de cilindros de acrílico, a pia é de louça branca. A cama grandona, gruda no janelão com persianas e blecaute, tem uma TV excelente na parede da frente

malikChuveiro e WC ficam dentro de cilindros de acrílico, a pia é de louça branca. A cama grandona, gruda no janelão com persianas e blecaute, tem uma TV excelente na parede da frente. Uma mesinha com espaço e lugar para tomadas, com uma cadeira design, onde está sentadinho o Malik, boneco de retalhos, que serve de companheiro para o viajante carente (quem quiser, pode comprar um na portaria-bar).

O controle remoto comanda a TV, as persianas, a luz (que tem vários climas), o despertador. Do lado de fora, no corredor branco, que lembra um transatlântico com muitas portas de quartos (são 230, todos iguais), há lembretes e avisos de eventos pelo mundo, escritos nas paredes. Cada andar tem uma foto no fundo, representando os diversos tipos de viajantes: o turista, a comprista, o aventureiro, o executivo. Tudo tem um comentário divertido.

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O quarto, com o cilindro do WC (primeiro plano, à esquerda), o outro cilindro, da ducha e a pia de louça branca. As fotos representam as turistas e as compristas

citizen cafeCoerente com o fato de ser hotel de aeroporto, o CitizenM serve café da manhã 24 horas no balcão-bar. Conforme a reserva feita, estará incluído na diária. Croissant, queijo, sucrilhos, um café muito bom. No mesmo andar térreo, onde fica a recepção, há um mesão com meia dúzia de MACs liberados para os hóspedes, com wifi eficiente, e dois espaços para quem prefere usar o próprio laptop. Mais uns quatro ambientes estilo lounge, com cadeiras e poltronas coloridas, de design assinado – no caso do hóspede não querer ficar trancado no quarto. Há livros nas estantes, para ler durante a estada. Mais humor, no bilhete dentro de um dos livros: “se você estiver lendo este livro a bordo de um avião para Cingapura, está lendo no lugar errado. Este livro pertence ao CitizenM”

Na manhã seguinte, já sabendo que havia carrinho à disposição para levar as malas até o aeroporto, saímos com três horas de antecedência. A sorte foi ter feito o check in na véspera, porque o atendimento da KLM para o Brasil é quase no oceano Atlântico, lá no último setor do enorme Schiphol. O despacho de bagagens deve ser feito pelo passageiro – enfia-se a mala dentro de um compartimento, onde é pesada e conferidas as suas dimensões. Aí, prestem atenção: brasileiros têm direito a 32 quilos, e não apenas 21, como os europeus. Com os equipamentos, sempre se passa dos 21, e o despacho deve ser feito em balcão com atendente da empresa. Resultado, mesmo saindo cedo, foi o tempo de encontrar o setor, despachar as malas, procurar o portão, entrar na fila, fazer a revista (estilo americano, com scanner corporal) e embarcar para as 11 horas de volta ao Rio de Janeiro. Saiam cedo para Schiphol!

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O Citizen M, depois fiquei sabendo, está virando uma cadeia, vai inaugurar em Nova York e Londres, já tem na cidade de Amsterdam e outros lugares da Holanda. Ganhou vários prêmios de revistas e sites especializados, figura entre os 100 melhores hotéis do mundo. Adoreeeei.

No site eurobooking.com, o CitizenM tem diárias de 103 (sem direito a devolução em caso de cancelamento) e 112 euros (com direito a devolução), no mês de maio.

Conexão / como nada é perfeito, devo dizer que o CitizenM tem pouco espaço para os compristas brasileiros. Aquele mar de sacolas e malas, vai botar onde? / gente, o aeroporto de Schiphol também vale uma incursão. Os preços se equivalem aos das cidades, parece a estratégia do aeroporto de Frankfurt – onde pode ser possível encontrar produtos mais baratos do que na cidade. Como não fui à cidade de Amsterdam, não posso afirmar que aconteça igual. Mas vale poupar alguns euros e deixar um espaço nas malas para umas compritchas. Gostei da Hema, loja de departamentos, que tem calcinhas de microfibra que competem com as da inglesa Marks & Spencer em matéria de conforto. Tem organizadores de bolsa, em náilon, excelentes, por menos de 10 euros (seis, se não me engano). Roupas de bebê, acessórios, malas. Uma loja grande de equipamento fotográfico, uma filial da H&M de acessórios, bancas de revistas e lojas de suvenires, onde estão à venda pantufas em forma de tamancos holandeses (meio grandes para enfiar na mala de última hora) / claro que vôo direto é muito bom, mas esta paradinha em Amsterdam, sem visitar a casa da Anne Frank, ir ao Museu ver os Rembrandts nem passear de barco pelos canais, foi o máximo.