Quando um convite para um desfile parisiense anuncia que o local será o Jardin des Tuilleries, logo nos preparamos para andar nas areias (ou lama, ou neve, depende do clima) do jardim e entrar na tenda azul montada, que chamam de space ephemère (espaço efêmero). Só que em se tratando de Dior, a história é muito diferente. Tão importante quanto a coleção assinada pelo Jonathan Anderson, foi o espaço.
Nada de tenda: um octógono em volta de um lago, com fumaça de gelo seco e um grupo de árvores ladeando no meio a passarela branca. A plateia, protegida das intempéries nas cadeiras com cobertura, em volta do octógono. Se o convite ou o link não dissessem que era nas Tuilleries, jamais identificaria o jardim. 

Cenário do desfile no jardim das Tuilleries

Quanto à coleção, uma palavra define: fácil. Fácil daquelas que dão vontade de vestir na hora. Mas não fácil ao ponto de já termos no closet. Quem já tem um blazer com um debrum preto em uma lapela só? Quem já tem um vestido esvoaçante e ao mesmo tempo fluido, ou uma saia terminada em movimentos de enviesados ou babados sutis? E a calça dourada, sem parecer vulgar? Para os CEOS, belos casacos pretos semilongos, imponentes, femininos e masculinos. As flores, um dos temas amados de Christian Dior, estão nos vestidos de fundos claros, a cara do verão. Alças fininhas, cabelos soltos, naturais, com lenços ou faixas caídas nas laterais. Muito branco, acompanhando misturas de cores desmaiadas. 
No final, Anderson agradeceu os aplausos, coerente com a coleção: simples, de camisa xadrez. 
Um belo desfile, em um cenário impressionante. Parece que Paris inspira a inovação, em todos os sentidos.
Quer ver o video do desfile? Vai neste link, vale a pena.
<https://www.youtube.com/watch?v=9kEVyUMhIGU>
O melhor? Já nem indico o que botar na lista de desejos. Mas acho que no verão brasileiro os vestidos floridos serão perfeitos. Já os sobretudos pretos vão dar o toque nos cabides dos escritórios luxuosos dos CEOs. Tem que chegar na sua sala e pendurar no porta-casaco com a etiqueta aparecendo de leve. Isto é o divertido na moda, fingir que nem liga para a marca, mas dando um jeitinho de exibir. Dior merece.