Há algumas semanas correu o boato de que Anthony Vaccarello estaria saindo da Saint Laurent. Foi desmentido. Mas algumas análises do desfile de hoje (dia 29 de setembro de 2026) apontam sinais de que esta seria sua última coleção para a Maison.
Se for verdade, foi uma despedida e tanto. O dourado predominou, a começar pelos três lustres gigantescos com velas que refletiam luzes no piso. Foi um show de parkas, capas, as adoráveis sahariennes, sonho de consumo dos anos 1980, tudo em dourado. Em texturas lisas ou com um craquelado, parecendo tão fino e fácil de usar quanto um algodão comum. Calças de brocado (ainda existe este tecido, tão anos 1960), lenços longos arrastando como caudas, Atenção: calças de cós baixo! Mostrando umbigos!.
Os looks finais foram pretos, clássicos ou com rolos de tule nos corpos. Próximo ao final, Charlotte Gainsbourg apareceu cantando.
Nos acessórios, saltos altos, alguns em forma de cobra. Grandes brincos. E nenhuma bolsa, pelo menos que eu tenha visto na live.
Uma história do Vaccarello, entrevista publicada em uma Vogue há alguns anos: ele não aceita a democratização da moda. ” Não é todo mundo que pode comprar uma roupa ou uma bolsa de uma grife de luxo. Isto mata a idéia da moda para mim”.
Achei dispensável esta declaração. Em tempos de internet, redes sociais, e-commerce e vendas de usados, cedo ou tarde todos têm acesso ao que sai dos ateliês mais luxuosos. Mas continuo achando o Anthony Vaccarello o máximo como criador.
Ah: voltando ao dourado, lembrei do sonho de consumo que era ter uma saia pouco acima dos joelhos, de couro ou tecido dourado. Com a assinatura do próprio genial Yves Saint Laurent.