Pretendia escrever antes sobre Dolce, Armani, enfim sobre os italianos que desfilaram em Milão. Mas fui atingida pela coleção do Anthony Vaccarello para Saint Laurent. Cheguei a tentar postar o vídeo no Facebook, mas era pesado demais. Eu e o Instagram não nos damos bem. Então YSL passou à frente dos italianos e entra aqui no site primeiro.
Por que esta paixão súbita? Primeiro, porque é Saint Laurent, que desde o Yves sou do fã-clube, seguidora, seja lá o que for. Depois, porque o Vaccarello consegue interpretar o que o Mestre faria. Uma mistura de básico, clássico, com ousadias inovadoras.
A  começar pelo teaser, visto no Insta: uma fumaceira ou uma nuvem, assinada por Fujiko Nakaya. O desfile foi todo enfumaçado, segundo o texto de apresentação, significando recusa e omissão, ausência, inspirações em Marguerite Duras e James Baldwin. Como estas referências muitas vezes ficam no mistério da cabeça do criador, melhor descrever a coleção.

Richard Gere vestido por Armani em Gigolô Americano

O que mais impressiona é o fato de, que desde a revolução do Giorgio Armani na alfaiataria dos anos 1980 (quando ficou famoso pelo figurino do Richard Gere no filme Gigolô Americano) ainda não tínhamos uma mudança na alfaiataria tão evidente. Os ternos do Vaccarello são fluidos, três botões, com calças levemente pregueadas, sem exageros na modelagem.

Ternos fluidos, três botões, sem camisa

As cores são neutras, realistas: cinza, marrom, preto e bege. Com toques de laranja, ocre, um azul fumacento e vinho. E DOURADO! Para quem já começa a estranhar este brilho em terno e trench, lembro que um dos sonhos de consumo da clientela feminina do próprio Yves nos anos 1980 era uma saia dourada, irresistível.

Cor, couro, trench e terno dourado

Camisas de mangas bufantes, sem colarinho

Há um pouco de extravagância na coleção, como as camisas de mangas bufantes ou os sapatos de bico finíssimo, bicudíssimos.

Jame e Martin, do k-pop Cortis

Foram 16 minutos com 40 looks. E não acaba por aí: Madonna deu um show na festa depois do final! Só que os comentários nas mídias foram para quem, para quem? Para James e Martin, integrantes do Cortis, grupo k-pop de onde? De onde? Da Coréia do Sul!!!! 

Fujiko Nakaya, artista plástica das fumaças

Tenho que falar da Fujiko Nakaya, artista plástica japonesa, de 93 anos, que trabalha com vapores e fumaças que parecem nuvens. Que maravilha, a Arte efêmera, misteriosa, desta criadora tão original. Só posso concluir: wish I was there! Claro, queria estar lá...