Quem teve a sorte de ver os desfiles ainda com Yves Saint Laurent como criador (eu!eu!) entendeu a coleção desfilada no primeiro dia da semana de moda de Paris, para primavera/verão de 2026.

Entendeu, porque o belga Anthony Vaccarello, há quase 10 anos (começou em 2024), como diretor de criação da marca, recolheu dos arquivos da Maison alguns dos sucessos dos anos 1980. Naquela década, tudo o que se queria vestir era uma das saias justas douradas com blusas de laço e escarpin simples. Esta imagem da parisiense moderna na época, foi revista neste desfile com a Torre Eiffel ao fundo, provavelmente aproveitando um dos espaços olímpicos, com a passagem das modelos definida pelo logotipo YSL formado por hortênsias brancas.

Já aproveito para notar que o logo veio completo, coisa que só se aplicava à parte de beleza da marca. Como moda, só se usa o Saint Laurent.

Além das saias justas com blusas brancas, de laço, o complemento podia ser a jaqueta de couro (ou similar, pelas causas sustentáveis)., outro lance que Saint Laurent gostava, tirado do estilo das ruas, dos motoqueiros parisienses. Mais leves, os modelos transparentes, delicados, mas de corte fechado, gola alta abotoada. Um ou outro, de mangas curtas.

E o final, os longos de mangas bufantes, acentuando a importância dos ombros, lembrando looks de quarto, glamurosos, debruados com babados. Cores de caixa de lápis, desde o vermelho até o verde, passando por laranjas e claro, o preto suntuoso.

Detalhes: sapatos altos, bico fino e tirinha no calcanhar. Ou slingback, como prefiram. Mais importante ainda, os brincos! Há muito tempo não se via brincos tão marcantes, dourados, rendados, com inserções coloridas. E no dress code YSL podem ser usados com bonés e óculos de haste larga (aquelas que escondem as ruguinhas).

Nos convidados, destaque para Madonna, cercada de seguranças, Jean-Paul Gaultier, que chegou com Catherine Deneuve. E muitos atores coreanos, os idols que provocaram comentários entusiasmados na transmissão ao vivo. Interessante, mais homens do que mulheres coreanas. Óbvio, os oppas fazem mais sucesso, ora.

Uma bela coleção, daquelas que dão vontade de vestir. Tudo no comprimento certo, nada de saias colantes demais nem sapatos estratosféricos. Parabéns, Vaccarello.