Enfim, depois de muita expectativa, de dúvidas de credenciamentos e agenda mista de famosos e estreantes, começou a Rio Fashion Week. Começou bem, com o impacto luxuoso do desfile da Osklen no Palácio da Cidade.
Fotos Ines Rozario
Com direito a lustres, tapetes, móveis seculares e platéia em bancos coletivos, a coleção mostrou mais do que se esperava da marca do Oskar Metsavaht. Vamos por partes:
Primeiro, a alfaiataria. Pode parecer já-visto. Só que não: há uma diferença no corte das calças, nem retas nem justas, na medida certa. Nas camisas, com punhos extra-longos. Em branco total ou preto direto. Paixão: a camisa branca com ¨Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro” impresso na frente. De novo: parece já-visto? Viu onde?Só na Osklen.
Depois os peixes. Lembro de quando Oskar me mostrou pela primeira vez os couros (peles?) de pirarucu, na fábrica. Incrível a evolução e a coerência desta linha. Desde parkas com capuz até looks de shorts e veste e a saia masculina. Paixão aqui também? Sim, os tops até a cintura, costas nuas, como pequenos aventais.
Tinha que ter coqueiros. Se a marca até plantou três coqueirinhos, junto com a vegetação rasteira na praia de Ipanema, as plantas sempre aparecem nas coleções. Tanto em estampas macro como quase tentadoramente modestas na camisaria masculina.
Aí começa uma rota diferente. As peças em tramas rústicas, típicas da marca, ganham acréscimo de tiras com brilho penduradas nos ombros, trechinhos brilhantes surpreendendo em algumas partes. Um contraste inovador em qualquer hemisfério.
Avançando no pouco visto, há longos estampados, em manchas de vermelhos, laranjas, amarelos, outros em azuis. Jeito de festa de verão. Tapetes vermelhos?
Mais uma surpresa, o plissado. Começou tentador, como a saia prata. Depois veio o desvario das três camadas e,tons metálicos. E algumas variações que me lembraram Artes prezada pelo Oskar: o balé, o teatro, a escultura. Não são para qualquer um, nem qualquer ocasião.
 Faltou um lado intrigante. Um pouco sexy, com fios dentais se insinuando nas calças de cós baixo. Um pouco fantasioso, como os leotards ou long johns da cabeça aos pés, em branco ou preto, entremeados de cristais. Pareceu uma visão futurista, o que o texto de apresentação confirmou, que a coleção traz a colaboração dos jovens filhos do Metsavaht. 
Uma definição? Espetacular.
Para comprar, usar ou colecionar: 
Apostas certas: as saias plissadas, o “aventalzinho” de peixe, as camisas (principalmente a do “São Sebastião”, será de colecionador). E as tirinhas de juta ou ráfia, para pendurar como quem não quer nada, sobre uma camiseta..
Pense bem: Não chega a ser vulgar, mas a insinuação do fio dental é perigosa. Nem Tom Ford, apesar do lançamento na Gucci nos anos 1990, conseguiu vender muito. Os leotards, para usar quando? Talvez no Met Gala. Mas você vai ao Met Gala? Considero colecionável.
E mais: muito bom rever os companheiros de tantas semanas de moda. Tania Otranto, que já tem filhotas formadas, Roberto Ethel, dorameiro como eu, Lalá Guimarães, Renata Reis. Yamê na fila de credenciamento. Na plateia, muitos meninos bonitos, atentos aos novos cabelos, sem o streetwear banal, com alfaiatarias contemporâneas / ótimo encontrar equipes que trabalham pelo mundo, como a do Sobias. Ou o Marcelo Theobaldo, do JB / deu saudade da Adélia, da Yuko, do Bezerril / Amanhã a Bianca Gibbon faz um desfile off na Cidade das Artes, talvez com live pelo Instagram. Confesso que tenho um certo ranço do Insta, ele não me obedece, não inclui meus áudios do SuperJunior / como sempre, a plateia deve descruzar as pernas, não levantar com o celular, para não atrapalhar os fotógrafos profissionais, aqueles que trabalham com câmeras de verdade.
19h