SPFW 2026 / Handred

Lembranças de viagens são subjetivas. Já ouvi amigas comentando que detestam Paris, uma cidade muito velha, que a comida era horrível. Em compensação, companheiros de um grupo de jornalistas de turismo acharam graça da invasão de macacos no café da manhã em um hotel da África do Sul. Enfim, lembranças dependem de quem vive aqueles momentos.  O André Namitala se encantou com o Japão. Além de referências em alguns trajes orientais, nas casas de banho, tecidos preciosos e nas lindas cerâmicas, ele trouxe a trilha para o desfile da Handred.  A música de um show de moda é um fator importante. Pelo que vi no vídeo, senti que ia no mínimo desconcentrar com os tambores Taiko, do grupo Todoroki Daiko, de Osasco. São maravilhosos como espetáculo. Mas para uma apresentação que durou mais de 10 minutos, achei demais. Ou você desfila ou apresenta os tambores.  Sinto começar o comentário pelos tambores, por aí dá para ver como competiram com a coleção. Mas vamos à Vapor em Curso, nome do inverno da Handred. Entre looks femininos e masculinos, há bermudas largas, algumas com brilhos de bordados, calças com corte arredondado, boas sobreposições com coletes, algumas intervenções em dourado.  Namitala tem seguido um rumo diferente do visto nas vitrines da loja de Ipanema, quando as peças em linhos e cores neutras eram a cara do Rio. Desde o RioFashion seu empenho parece ser mais vanguarda, mostrar um estilo mais dirigido para um público que exige originalidade, mais do que a elegância básica, com as alterações do André, que diferenciavam a marca de roupas banais. O destaque desta Vapor em Curso é a linha de trench coats. Desde o quase clássico até um maxi, perfeito para as passagens pelos tapetes vermelhos ou pela paradinha no backdrop (quem disse que precisa chover para vestir um belo trench?) E mais: sobre as músicas de desfiles, também tenho lembranças. Uma das melhores foi encontrar no meu lugar uma fita cassete com a trilha do desfile do Valentino. Outra, a ColdSong, cantada pelo Klaus Nomi, em um Balenciaga (aquele tipo de música que a plateia desconhece e sussurra “quem é? Que música é esta”). Todas as músicas escolhidas pelo Ronaldo Fraga. Ou a Anunciação, do Alceu Valença, ouvida com um sanfoneiro ao vivo em um desfile no Dragão Fashion. Foi arrepiante, só não lembro a marca, desculpem. Outra experiência inesquecível foi um desfile da Second Floor, quando era apenas a frase You can talk to me era repetida (verso da música Hey Bulldog, dos Beatles). Ou uma Alta Costura do Yves Saint Laurent ainda vivo, sem música, só o barulho de passos. Entre os DJs, aposta certa é no Zé Pedro, capaz de ir da bossa nova a um jazz intrigante. Algumas sugestões que funcionariam, sem competir com a harmonia das coleções: A matter of feeling (Duran Duran), a Magic, do Coldplay. Algum Michael Jackson, como o Off the Wall. Para uma moda praia, a Cheia de Charme, do Guilherme Arantes. Nada contra batuques, lindos do Todoroki Daiko, ainda vou assistir só vocês, sem passagens de bermudas e trench coats. Já tivemos um desfile da Salinas, dirigido pelo brilhante Gringo Cardia, com a passarela ladeada por integrantes de uma bateria de Escola de Samba. Maravilhoso.  

Rio Fashion Week / Handred

      Já foi o tempo em que desfile masculino era terno e gravata, sapato Oxford de cromo e algumas camisas sociais. Desde Luiz de Freitas e Beto Neves, passando pela inspiração motoqueira do Ricardo Almeida, o show chegou às coleções para os homens. E assim foi com a Handred. A começar com a abertura com coral cantando árias diversas e seguiu por toda a apresentação.  No estilo assinado pelo André Namitala, começou com predominância de marrom em alfaiataria largas, fartas, tanto nos paletós como nas calças,  tanto masculinas como  femininas. Marrom, marrom, marrom e vieram esverdeados, sempre amplos. Seguindo a onda do luxo casual há vestes masculinas terminadas em barras bordadas. Para quem esperava extravagância, pronto: uma veste sem mangas, masculina. Como um casulo. A outra variação da alfaiataria é a proposta das calças largas e curtas, pouco abaixo dos joelhos. As jaquetas de couro podem ter bordados e imagens nas costas, valem também em vez dos colarinhos comuns, laçadas no mesmo material. Nos complementos, uma sugestão que pode ser improvisada jâ: atualize seu mocassim amarrando uma faixa na altura da Gaspar e dê um bom laço. E assim, a Handred, que começou com belos looks em linhos, chegou à coleção com uma personalidade de moda Vai dar certo: as calças mais largas, as jaquetas de couro decoradas Quem sabe? Para um público especial, as calças curtas e retas. Mas a veste-casulo…só para dias de ansiedade, dúvidas na vida… 20h46 E mais: a trilha ao vivo foi da Companhia de Opera da Lapa / a coleção se chama Akáshica (sobretudo).  

Cabeças boêmias

Uma das principais atraçíµes das semanas de moda são os lançamentos do setor de beleza e cosméticos. As grandes empresas aproveitam as coleçíµes, muitas vezes patrocinam, para mostrar maneiras de usar seus produtos. A Schwarzkopf, OSIS+ e Silhouette, empresas integrantes do grupo alemão Henkel, colocaram suas novidades nas mãos da Carla Biriba, a beauty artista encarregada da beleza no desfile comemorativo dos 10 anos da Handred, marca carioca do André Namitala desfilada na atual edição da São Paulo Fashion Week. André buscou referências na boemia de Santa Teresa. Carla fez uma releitura dos anos 1920, também época da boemia parisiense. Estes foram os processos dos looks que lembram as melindrosas dos anos 1920. Apliques de cabelos naturais formaram franjas modeladas com a espuma de fixação flexí­vel da linha Silhouette. Para diminuir o frizz depois do aplique, foi utilizado o gel texturizador com fixação extra-forte Rock Hard da linha OSIS+. Este penteado, colado nas cabeças, demorou 24 horas para ser produzido. Carla chamou o estilo de 20/23, mostrando a adaptação ao contemporâneo. O OSIS+ Big Blast preparou os fios. O OSIS+ Magic finalizou e deu brilho aos cabelos Quem quiser aderir aos looks da Handred by Carla Biriba encontra os produtos no Clube do Cabelo Pro (www.clubedocabelopro.com.br), nas lojas especializadas em produtos profissionais ou nos grandes e-commerce de beleza. Fotos Marcelo Soubhia @agenciafotosite    

Casa dos Criadores vem com tudo!

Mais uma semana de moda brasileira, a 40ª edição da Casa dos Criadores, evento lançador de gente nova, em São Paulo. A Natura, um dos patrocinadores, (juntamente com a Di Gaspi e o Hangar 33), vai apresentar uma coleção assinada por designers inspirados em seus perfumes. A marca carioca Handred, do André Namitala, que desfilou recentemente no Veste Rio e integrou os participantes de um Fashion Business, ainda sob o comando de Eloysa Simão, vai abrir a Casa dos Criadores, produzida pelo grupo Lunelli. O local é fixo para toda a semana, o lounge abre às 18 horas e os desfiles começam às 20h30. Onde: Clube Atlético São Paulo (Clube dos Ingleses) / Rua Visconde de Ouro Preto, 119, na Consolação, em São Paulo. AGENDA DOS DESFILES Segunda-feira, dia 07/11/2016: Handred (André Namitala) / Alex Kazuo / Ocksä (Deisi Witz e Igor Bastos) / Felipe Fanaia Terça-feira, dia 08/11/2016: Karin Feller / Ben / Fabia Bercsek / Perfume de vestir por Natura: Fabia Bercsek, Fernando Cozendey, Ocksä, Rober Dognani, Tarcisio Brandão, Weider Silveiro Quarta-feira, dia 09/11/2016: Diego Fávaro / Rafael Caetano / Rober Dognani / Projeto Lab / acervo: Caroline Funke, Elias Kaleb, Renata Buzzo, Modal.ab Inacap (Chile) Quinta-feira, dia 10/11/2016: Karin Feller para Di Gaspi / Weider Silveiro / Lui Iarocheski / Isaac Silva / Igor Dadona Sexta-feira, dia 11/11/2016; Cem Freio (Victor Apolinário) / Heloisa Faria / Fernando Cozendey / Ale Brito / Hangar 33 (Rafael Varandas) / ví­deo Tarcí­sio Brandão