Ateliê de surpresas

Surpresas costumam me deixar sem graça. Depois de um dia de trabalho, chegar em casa e se deparar com uma festa surpresa de aniversário, dá vontade de vestir um pijama e sair da bagunça. Mas há surpresas interessantes, principalmente na moda. O exemplo mais recente aconteceu nesta semana: o convite era para o lançamento de tamanquinhos dourados da Ângela Carvalho, no alto da Gávea. Na mesma mensagem do WhatsApp, estava o nome da Isabela Capeto. Lá fomos eu e Ines, de carona com Zequinha (vulgo José Claudio, já que todos conhecem como o Zequinha, atleta nadador e fotógrafo) até o suposto showroom. Em um prédio atrás da capela de Santa Inês, prédio bem detonadinho, mas com elevador. Na campainha, indicava que havia, além do ateliê da Isabela, uma psicóloga, uma florista. Foi a surpresa da tarde: que ateliê! Várias salas, para confecção, escritório, show-room para vendas, copa, cozinha, uma cabine de provas linda, araras com coleções, prateleiras de acervo. Foi uma ex-escola pública,que mudou para outro prédio, no mesmo entorno da igreja. Um local que merecia a visita de designers e decoradores, para admirarem a maneira de aproveitar cada coluna, cada parede, com painéis da marca, tintas coloridas – em geral, vermelhas, a cara da Capeto. Isto é pouco: uma das paredes do escritório é coberta por um painel todo bordado com pecinhas prateadas, ganhou prêmio na exposição Neo Tropicalia, em Toquio! Vamos à moda, afinal Confesso que só este ateliê seria uma matéria. Mas sobrou olhar para os adoráveis tamanquinhos de tiras douradas e solado de madeira, que a Ângela Carvalho criou em collab com a Isabela. Um pouco anos 1960 ”não há dúvida, os 60 estão voltando”, comentou a Ângela_, um pouco Paris, a grade já meio curta, os 36 já foram para as ruas, de preferência com meias soquetes coloridas. Mas as clientes compram um número acima, de tão apaixonadas. Na foto da Ângela, reparem na amplidão de um dos espaços do showroom. Preço dos tamanquinhos: R$ 890. Almofadas bordadas avisam que Ângela agora se dedica mais aos artigos de decoração. “Almofadas, jogos americanos, estofados de sofá a metro, capas de edredon, duvets, cúpulas de abajur, muitas vezes pesquiso em antiquários e confecciono as cúpulas bordadas”. O requinte é ser tudo em linho. A autora desenha o tema, digitaliza, imprime sobre o tecido e manda bordar. O resultado? Pelo menos nas almofadas que estavam expostas não dá nem vontade de usar, de tão delicados os bordados de palmeiras sobre o linho. Preço: a partir de R$ 500. Quanto à Isabela Capeto, além das novidades de mangas em tecido aberto, das saias duplas de renda, há um verdadeiro museu de maravilhas. Casacos bordados, tailleurs, looks tacheados, aquelas peças difíceis de descrever. Tudo artesanal, feito à mão, bordado, aplicado, recortado. Uma aula de criatividade. E um ensino de superação, porque esta surpresa toda começou depois que um incêndio acabou com o ateliê em Botafogo. Isabela Capeto parece um cometinha. De vez em quando, some, desaparece, não dá notícia. Aí, aparece, faz um bloco de carnaval no Leblon, um desfile na Lapa, abre e fecha lojas. E não perde o ritmo, é uma eterna surpresa boa! Fotos Ines Rozario
Melissa de gôndola

Já tivemos Melissas assinadas por Gaultier, Marc Jacobs, já vimos modelos em vitrines internacionais que não apareciam no Brasil. Desta vez teremos a chance de calçar uma versão criada em Veneza, cidade italiana onde são produzidos os luxuosos sapatos da Nodaleto, da Julia Toledano (olha que legal, ela fez uma troca de silabas e criou a marca) . São dois modelos: a Melissa Ruby + Nodaleto, sapatilha de ponta quadrada e a Melissa Possession + Nodaleto, versão nova do modelo clássico da nossa Melissa. A inspiração _ que poderia ser no por do sol de Veneza, visto da Praça São Marcos _ foi no por do sol do Arpoador , onde foi produzida a campanha Um Verão Carioca. . “Na Melissa, buscamos constantemente inovar e projetar o futuro. Nossa colaboração com a Nodaleto reflete esse compromisso ao unir o DNA disruptivo de ambas as marcas para criar uma coleção que celebra a ousadia, o conforto e a expressão individual”, afirma Paulo Pedó, diretor da Melissa. São dois modelos com uma aparência delicada, pela transparência e a cor avermelhada. Está em lançamento nesta semana na Galeria Melissa São Paulo, no aplicativo da Melissa e no site <melisssa.com.br>, com entrega para todo o país. Os precinhos: Ruby + Nodaleto R$ 199,90 Possession + Nodaleto R$ 189,90 Créditos da campanha: Direção Criativa: @youmnabarakat @nodaleto / Fotógrafo + Produção: @yoannetmarco / Estilista: @padillamanu / Beleza: @piugontijo / Casting: @felinaforreal / Produção local: @ia.m.lab @ana_melhado E mais: não entendi este lançamento com a Nodaleto de verão, agora. Deve ser para o varejo internacional,onde agora começa a Primavera. Mas descobri no site da Melissa a Melissa Warm Boot. Achei uma graça, mais bonitinha que a Ugg. Em branco, marrom ou preta, acabamento de pelinhos. Esta é pra agora, se o nosso inverno esfriar de verdade! Ou para fazer um charme. Precinho: R$ 560,90
Tendências e propostas para o verão 2024/25

Ganhei um rolo com 25 cores de Stabilo! Em vez de ficar horas selecionando fotos vindas por e-mail, decidi desenhar as tendências vistas em Paris. Ainda não deu certo o iPad como suporte, fui de bloco Canson mesmo. Sempre vale lembrar: tendência é o que é sentido, visto, pressentido no ar, nos sonhos. É o desenho de uma folha, a estampa de uma gravura, o que o consumo anda pedindo. Por exemplo: a Líquido Store sacou que a turma das academias precisava de um lugar para colocar chave, cartão, talvez até o celular. Então criou leggings com bolsos. Isto é uma proposta que vem da tendência inspirada no consumo. Algumas tendências chegam a durar 10 anos, como é o caso da calça skinny, que está saindo de moda. A moda precisa de renovação, para gerar desejo (em compensação, quando vão sair de moda as calças jeans rasgadas?) Quando os produtos destas inspiraçíµes das tendências vão para as coleçíµes, deixam de ser tendências, estão prontos. São propostas para o consumo. Podem ser aceitas ou não. Podem ser exageros cenográficos, adotados por pessoas especiais. Costumo dizer que são as peças que a Sabrina Sato usaria. Mais exageradas, seriam da Anitta. O que se propíµe agora: Beleza:muitos desfiles com cabelos lisos, longos, repartidos ao meio. Poucas interferências no natural castanho. Alguns rabinhos retorcidos, como penteado de fazer faxina em casa. Ombros: diferente dos anos 1980, sem ombreiras, em princípio. Está mais para o Thierry Mugler dos anos 1980, que de vez em quando botava uns ombros pontudos. O que pode acontecer na vida real? No mínimo, acabam as cavas caídas, fora do lugar. è um estilo paralelo ao over, que está muito forte. O ombro realçado completa peças ajustadas. Recortes: realçados pelo preto, que continua forte, há decotes assimétricos, uma alça grossa de um lado, uma fina do outro, aberturas na cintura, tomara-que-caia com uma alça grossa. Muito cara de verão Acessórios: tem mania de bolsa? Pois saia com duas, uma pequena, rígida, da marca favorita e uma tote ou estilo saco, junto, na mesma mão. Achei bom, porque dá para levar iPad, estojo de lápis, coisas maiores e dar pinta com a bolsinha de marca. A Arezzo e a Via Mia estão com modelos ótimos Outro acessório é o colar. Fica lindo o look de saia longa, camiseta e jaqueta de couro ou brocado, com colares longos, meio artesanais. Estilo Claudia Duarte, Sonia Mureb, Rosana Bernardes Ternos: Grandes, largos, completos. Lembrem de George Sand, namorada do Chopin, que não só usava ternos, como até mudou o nome Amandine Aurore para o masculino George, para conseguir publicar seus romances. Ela usava ternos, mas era sedutora e feminina. Mas do jeito que o Anthony Vaccarello sugere em Saint Laurent, é mais prático pegar emprestado o terno do namorado, amigo, marido, o que tiver ainda terno-e-gravata no guarda-roupa. De qualquer forma, é o sinal para as executivas voltarem aos terninhos bonitos, que andavam trocados pelos tailleurs. Estampas: estão bem mais delicadas. Combinam com os detalhes plumosos bem frequentes nas coleçíµes. Um tema favorito são os pássaros, vistos desde Chanel até Stella McCartney. Nesta, é lindo o colar com dois passarinhos se bicando. Continuam os cordíµes longos, com uma pedrinha minúscula (mas que pode ser um diamante puríssimo), solitários ou com outros cordíµes em comprimentos diferentes. Os saltos sobem de novo, ganham faixas largas, em lugar de tiras finas nas sandálias. A novidade é a bota-sandália, decorrente da bota over knee, que ainda não convenceu. São modelos em couro fino em geral branco ou tecido elástico, exibindo os dedos ou o calcanhar. Dão margem a vários erros de uso, em princípio seriam para equilibrar a volta das saias mais curtas. Vamos ver no que vai dar.
Mochilas em novas cores!

Já com lista de espera, está saindo a edição limitada de cores novas nas mochilas Carla (paixíµes) e nas bolsas Saquinho da grife |Frankie e Amaury. Renata Veras e Alexandre Schnabl estão à frente das coleçíµes que agora estão de mudança para a multimarcas Dona Coisa. Roberta Damasceno, dona da loja – um exemplo de bom gosto -,recebe para coquetel na terça-feira. Com direito a champanhe Vita Eterna e a presença da bela Silvia Pfeifer, que estrela o fashion film da coleção. O evento tem nome: Badulaque Carioca, graças à participação de Lula Duffrayer e Flavio Carvalho, artistas do Pirilampos do Planeta, que assinam a instalação feita a partir de resíduos em técnica de assemblagem. Será uma terça-feira animada, na casa do Jardim Botânico. Quando: 26/6 de 16h às 20h Onde: Dona Coisa: Rua Lopes Quintas, 153 – Jardim Botânico. (21) 2249-2336
Depois da festa

Uma boa coleção merece um lançamento à altura do trabalho que deu produzir. A moda do verão 2024 assinada por Hermes Inocêncio como Império, é colorida, com estampas inspirada em imagens renascentistas. Camisas, calças e bermudas merecem uma apresentação simples e organizada. Se é uma loja, o espaço pequeno deve ficar para as fotos. Sem atrasos exagerados, sem coquetéis dispensáveis – que tal garrafinhas de água? Mineral das boas, Perrier, San Pellegrino – e uma escolha prévia das roupas a serem vestidas pelos modelos. Hermes Inocêncio e dois modelos no lançamento em Ipanema Enfim, o importante é mostrar a coleção. A festa vem depois. Vale ver a proposta de verão do Hermes Inocêncio, agora, sem convidados nem champanhe, mas com boas ideias para vestir homens, mulheres, turistas e nativos. E mais: este estilo Império, com referências romanas inspira muitos criadores, cada um com sua versão. Dolce & Gabbana na Itália, Thomas Azulay e Patrick Doering, da The Paradise, no Rio de Janeiro produziram belas coleçíµes neste tema
Joias: agora são maxi e coloridas

Pela Black Friday, que na Monte Carlo já oferece desconto de R$ 100 nas compras acima de R$ 200, ou pela proximidade do Natal (Já?!), as joias entram na pauta do site. ícones Começamos pelas embaixatrizes das marcas. Pela 12ª vez Marina Ruy Barbosa representa a linha em prata Life by Vivara. Ela colabora na idealização e concepção das 13 novas joias. Seguindo a tendência maxi, a Vivara tem peças que são mais do que brincos, são os ear hooks e ear cuffs, dando a ilusão de piercings. Outra madrinha, a PatBO, marca de luxo mineira, mostrou a coleção de verão com as joias da linha Gardden, da Diamond Design. As joias cearenses trazem referências de um jardim encantado, em seleção de diamantes, tanzanita e safiras. Esta foto é da coleção Butterfly, mas a Gardden estará em breve no site da marca. E vai lançar as novidades em Fortaleza, no dia 23 de novembro. Além das muitas versíµes dos olhos gregos, a Katia Cohen lançou a medalha do selo de proteção dos sete arcanjos, em ouro 18K (R$ 3.000,00) ou prata banhada a ouro (R$ 950). Outra de fé é coleção com Nossa Senhora Aparecida, da H. Stern, em várias versíµes (medalha R$ 1.770) A prata é a opção para quem é como eu: escurece tudo. Segundo Antonio Bernardo, autor deste adorável anel/aliança de prata com nó (R$ 760), basta dar um banho de ródio que a prata vai manter seu brilho. Combinada com água-marinha, a Voa também encanta com as peças da coleção Azuis e Reflexos – descobri a loja no shopping Leblon. Mas além das maxi, a joia agora é cor. As pedras coloridas trazem poderes e energias. Segundo Francisca Bastos, que está lançando a coleção Magia das Cores, é o seguinte: amarelo é o sol, o citrino; o azul é da água marinha, topázio azul e safira; o calor do laranja está na Pedra do Sol; o verde, na esmeralda e turmalina verde e o branco das nuvens está nos diamantes e ágatas. Sem falar nos diamantes que a Tiffany´s acaba de comprar para transformar nas suas cobiçadas peças. É a confirmação da tendência das pedras coloridas, como os Argyle Diamonds, a Muzo Emerald e o Fancy Vivid Yellow Rough Diamond, cortado em dois, com lapidação esmeralda. Vamos aguardar as belezas que serão criadas pela joalheria americana. .
Disney Fashion

Tenho uma amiga argentina que reclama que a América Latina significa muito pouco para o resto do mundo. Nem todos os shows se apresentam por aqui, poucos sites aceitam a LATAM (abreviada, a Latin America), as grandes redes de varejo hesitam na hora de planejar entrar neste mercado. Bom exemplo é a H&M, que já andou sondando, mas desistiu de vir. Faltou a coragem da espanhola Zara. Agora, a pretexto de um lançamento divertido, confirmo esta situação: a Aldo, grupo de sapatos, bolsas e acessórios original do Canadá, fundada em 1972 por Aldo Bensadoun, de família do Marrocos e Argélia, tem 3.000 – sim, três mil – lojas distribuídas em 100 países. Várias no Canadá, outras em países como Israel, Arábia Saudita, Grã-Bretanha, Cingapura e Filipinas. Sem falar nos Estados Unidos, de onde sai esta nota. Brasil? Nem uma vitrinezinha. Graças a um querido que trabalha nos estúdios de Anaheim, recebo as novidades da Disney. Desta vez, é a coleção assinada pela Aldo, celebrando os 100 anos de magia. Muito brilho, um tom de prata, e a graça dos personagens famosos. Tem bolsinha em forma de cabeça de Mickey (85 dólares), tênis com embalagem daquelas que ninguém tem coragem de jogar fora (120 dólares) e um escarpin digno da Cinderela (150 dólares). Além do site da Aldo, onde para ver os produtos é melhor entrar como residente na América do Norte, a coleção deve estar nas lojas dos parques. Apesar de estar fora do nosso varejo, estes sapatos e bolsas podem ser encomendados nos grupos de compras internacionais. Por aqui, quem sabe no Mercado Livre?
Conceitos passados e futuros

Quando acabam as principais Fashion Weeks do mundo, a tradição quase obriga a um resumão, um ataque de xamã (com guizos e tudo) prevendo o que será vestido no Futuro. Mas cheguei à conclusão que podia selecionar alguns momentos mais diferentes, divertidos ou estranhos. No fundo, eles é que nos acordam da monotonia, por serem originais. Sabem aquela característica da moda? Quase tudo o que achamos horrível hoje, daqui a três meses estamos loucas (loucos) querendo ter igual. Para começar… Há uma parte da criação que cai na categoria conceitual. Serve para anunciar ou reforçar uma tendência. Um bom exemplo: esta fofíssima vestimenta de poás assinada por Dingyiun Zhang para a Marni. E há quem acuse a moda italiana de ser comercial demais. Falando em orientais, há uma mania pelos fox eyes, os olhos de raposa. A Dra. Samanta Bussolaro, da Clínica de Estética Avançada Bequeen redesenha o formato dos olhos com a toxina botulínica, que ao mesmo tempo relaxa os músculos ao redor dos olhos, levanta a cauda das sobrancelhas e suaviza as linhas de expressão. Tudo pela beleza. Aquela velha expressão “até com injeção na testa†deixou de ser absurda. Mais uma que tem a ver com o outro lado do mundo: o grupo LVMH, a Hermes e a Gucci estão reforçando os contatos com os fornecedores artesanais do Japão, principalmente os que lidam com técnicas de esmalte, tingimento do índigo e trabalhos com folhas de ouro. O problema é a diferença de timing entre a pressa dos grandes grupos europeus e a lenta tradição perfeccionista dos orientais. Esta estratégia já faz parte da linha Métiers d´Art da Chanel. Há muito tempo a marca compra a arte das plumas e bordados do Lesage, Os chapéus da Maison Michel, a joalheria Goossens, as flores e bordados do Atelier Montex e Le Marié, os plissados do atelier Lognon. Prestigia a arte francesa. Enquanto os outros vão atrás da sabedoria japonesa. Sempre é bom combinar novas tecnologias ou novas ideias com referências clássicas de certas marcas. A Elsa Schiaparelli se destacou nos anos entre as duas grandes guerras. Amiga dos artistas que viviam em Paris naquela época, aproveitava palpites de Salvador Dali, por exemplo, que pintava relógios, lagostas, sapatos em suas obras. Daí, que Daniel Roseberry, atual diretor de criação, lembrou de pendurar uma lagosta dourada sobre o vestido preto. Até que o vestido era bem interessante, no desfile para este ano. A outra volta é estratégica: depois de lançar coleçíµes mais discretas, visando o conforto, sem muito sucesso, a Victoria´s Secret deu a notícia de um plano B: a marca terá lojas mais bonitas, vai entrar em novas categorias e voltará às origens. Isto é, às calcinhas e sutiãs sensuais, em rendas preciosas, transparências ousadas, em tamanhos variados. Um dos executivos usou o argumento do momento: “sensualidade é inclusivaâ€.. Outra marca tradicional se deu mal, apostando só na qualidade dos produtos. As açíµes da alemã Birkenstock caíram na Bolsa de Nova York. Qual será o plano B deste calçado famoso, que já complementou desfiles do Rick Owens e da Dior? Confesso que sou mais a papete da Kipling. Se o Jacquemus esgota as bolsas prateadas (no mundo e aqui, na Farfetch), a coisa vira obrigatória em todas as marcas de acessórios. Uma das mais conceituais (leia-se inútil, porque cabe quase nada) é a mini bolsa Pétala prata da Coperni. Vai ver que esgota, mesmo que por 590 euros (R$ 3.150). A outra proposta não chega a ser novidade. É a boot, tipo coturno, da marca alemã Tamaris. O estranho é que é vegana (não me perguntem como, nem os guizos souberam responder), mas tem lindas fivelinhas prateadas e a indicação da marca é para usar no trabalho (office), encontros com namorados (date night) e para sair a qualquer hora do dia ou da noite. Deixem os escarpins no bazar da igreja, por favor. Sempre acho que peças veganas a qualquer momento vão começar a brotar (anda acontecendo com as bolsas feitas de núcleos de cogumelos) Quanto à moda masculina vista nestes dois meses, prefiro deixar os comentários para o Jose Gayegos, mestre que trabalhou com Dener e faz sábias definiçíµes no Facebook.. Mas há dois pontos fortes, dentro de um mesmo estilo: as letras góticas nas palavras estampadas. E as frases-manifestos, em geral, machistas. Como a assinada por Willie Norris para a Outlier, onde se fica sabendo que “homens de verdade não comem quicheâ€. Eu, heim. Enfim, ainda bem que John Galliano continua à frente da Maison Margiela, com variaçíµes do básico trenchcoat, vestidos pretos de golas brancas e propíµe os distressed jeans, que são os Levis desgastados,clássicos tanto na forma como no tingimento. Relembrando o currículo do Galliano, conclui-se que seus desfiles eram loucos, espetaculares, mas as coleçíµes sempre foram elegantes e impecáveis. Um dos meus favoritos, Rick Owens, parou com os happenings e apresentou um conjunto de peças colantes, sedosas, à primeira vista estranhas, pelos ombros pontudos, as golas que sobem, o exagero no ajuste. Mas são primores de costura, como afirmou Tim Blanks, editor no Business of Fashion, que o considera um dos grandes talentos da moda atual. Eu também. Aliás, falando em desfile, ainda está para ser produzido um mais lamacento do que o Balenciaga do ano passado. Não canso de imaginar o que a plateia deve ter achado. A moda suja os sapatos dos convidados, mas diverte.
Para ver a Primavera

Mais um acessório de sucesso nesta terra ensolarada: óculos de sol. Em plena época de lançamentos, chegam estas novidades, algumas chegando às vitrines das lojas, ainda sem os preços definitivos. Max Mara: quem diria, um casaco inspira um óculos. A Max Mara comemora 10 anos do casaco Teddy Bear, um sucesso pelo aconchego do modelo em pelúcia, como um ursinho. Produzidos pela Marcolin, os Teddy Bears são grandes armaçíµes que envolvem o rosto. Tudo é bold, as facetas e as hastes. Preço sob consulta Swarovski: Giovanna Engelbert, diretora criativa da marca austríaca, assina a coleção de óculos em parceria com a Essilor Luxottica. Os modelos com cristais facetados estão na campanha clicada por nada mais nada menos do que Steven Meisel. Cristais das famílias Lucent e Millenia brilham em tons de verde. Garantido: óculos estilo “chegueiâ€. Preço sob consulta Guess: uma coleção cápsula da Get in Touch 2023 Guess e Marcolin que lembra a prevenção do câncer de mama. A fitinha rosa decora as ponteiras, os estojos são especiais. São 2 modelos, um formato borboleta com glitter de cristal nas hastes e a quadrada tem hastes de acetato em glitter rosa. Preço sob consulta. Zerezes: uma coleção colorida, muitas formas arredondadas. A campanha é tão brasileira quanto a marca, que tem preços ótimos tanto nos óculos de sol como os de grau. Este coloridinho custa R$ 496 Chilli Beans: Impacto de música e natureza na série Yawanawa Alok, em que o maravilhoso DJ homenageia o povo Yawanawa. Óculos que contam histórias! Por R$ 299,98 (ótimo preço) Gustavo Eyewear: os belos óculos pintados à mão já estão em estilo de Primavera. Este é o modelo G137 6, em preto, violeta, fumê e azul translúcido. Hastes pretas e lentes cinzentas. Por R$ 1.683. E mais: nada a ver com óculos, mas achei lindo o relógio da Lacoste, produzido pela Movado e à venda no Brasil pela Vivara. O desenho minimalista e a série Multifunction 12.12 são as atraçíµes que vêm em verde, preto ou cinza.. Um detalhe: a pulseira de silicone tem a textura petit piqué, a mesma da malha das famosas camisas polo.
Pés na ífrica

Muito bom receber notícias por amigos e companheiros de eventos. Zeca Santos, o Zequinha de 1m90, foi ao Quilombo do Grotão, em Niterói, assistir ao lançamento da coleção Utopia das Ancestrais Negras, assinada pela Liana d´Afrika, ou melhor, Liana Souza. O fot[ógrafo e editor do site <tevejoaqui.com>, voltou entusiasmado pelas roupas, acessórios e toda a história do lugar. Tecidos africanos, cores fortes no algodão, estampas lembrando tribos, tudo vestido por amigos da Liana, gente famosa não por serem modelos, mas por atividades variando entre professoras, passistas, enfermeiras, escritoras, garçom, mecânico, estudante todos de pé no chão, com cabelos e maquiagem a cargo da Ellen Barbosa, do Salão Swellen. Nos acessórios, destque para as peças criadas por Cris Carneiro, da marca Bijoux Africa. Vale dar uma conferida completa na publicação do Zeca Santos, pelo link no final desta edição. Todas as fotos são do Zeca Santos <https://tevejoaqui.com/2023/08/15/liana-dafrica-lanca-colecao-em-solo-sagrado/>
As feras ainda rugem

a estampa Animal Print ficou tão básica quanto o poá ou o xadrez vichy. Tanto que tanto as grandes lojas como as marcas de luxo incluem as onças, leopardos, zebras e cobras nas coleçíµes atuais. Ainda há quem ache que as pintinhas ferozes tenham um efeito vulgar. Tudo bem, cada um com sua opinião. Nem sempre se consegue acompanhar as novidades. E mais: as garotas antenadas da Europa andam com suas ecobags por Paris, como se fossem supergrifadas. Mas daí a ostentar uma bolsinha Marni de mais de 200 dólares, de uma linha intitulada Market, é ir muito longe no casual. Escolham as suas no link:https://iesarodrigues.com.br/bolsas-de-feira-sera/‎
