Pés na ífrica

Muito bom receber notí­cias por amigos e companheiros de eventos. Zeca Santos, o Zequinha de 1m90, foi ao Quilombo do Grotão, em Niterói, assistir ao lançamento da coleção Utopia das Ancestrais Negras, assinada pela Liana d´Afrika, ou melhor, Liana Souza. O fot[ógrafo e editor do site <tevejoaqui.com>, voltou entusiasmado pelas roupas, acessórios e toda a história do lugar. Tecidos africanos, cores fortes no algodão, estampas lembrando tribos, tudo vestido por amigos da Liana, gente famosa não por serem modelos, mas por atividades variando entre professoras, passistas, enfermeiras, escritoras, garçom, mecânico, estudante todos de pé no chão, com cabelos e maquiagem a cargo da Ellen Barbosa, do Salão Swellen. Nos acessórios, destque para as peças criadas por Cris Carneiro, da marca Bijoux Africa. Vale dar uma conferida completa na publicação do Zeca Santos, pelo link no final desta edição. Todas as fotos são do Zeca Santos <https://tevejoaqui.com/2023/08/15/liana-dafrica-lanca-colecao-em-solo-sagrado/>

Dragão / aula do Fernando Torquatto

Fernando Torquatto confirmou a fama de simpático, articulado, extremamente profissional, no lançamento de seu livro Beleza Integrada, pela editora Senac Rio. Para quem esperava apenas dar um beijo e ter seu livro autografado, acabou recebendo uma verdadeira aula de beleza através das décadas do século 20/21. Ele preparou uma dezena de meninas, devidamente caracterizadas como exemplos de make e cabelos dos anos 1910 até 2000. Uma estratégia inteligente, que forneceu boas imagens coerentes com a obra. Ora, não esperava menos do competente Torquatto.  

Ronaldo Fraga contra a xenofobia

Nosso Ronaldo Fraga prossegue em sua linha de criação que supera a moda como mera vestimenta. Sua ação mais recente foi o desfile na Bienalsur _ Bienal Internacional de Arte Contemporânea – em Buenos Aires. SegundoRonaldo: _ A moda pode servir para pensar a realidade, afirma Ronaldo, que costuma usar a criação das roupas como um meio para expressar as inquietudes e visíµes da atualidade.     Na coleção desfilada no Hotel dos Imigrantes, sede principal da Bienalsur. Atletas, escritores, artistas plásticos fizeram parte da performance, que contou também com a intervenção de quatro jovens estilistas, que transformaram vestidos brancos da coleção. Desta vez, o tema principal desenvolvido foi a luta contra a xenofobia e a valorização das raí­zes dos imigrantes e povos originários da América do Sul. Como diz o tí­tulo do release, Ronaldo Fraga faz moda para pensar o mundo. Fotos de Mauro Franceschetti e Nicolàs Villalobos  

Agenda de junho 2017

JUNHO DIA 02, SEXTA-FEIRA Começa o eventoVinhos de Portugalno Rio, com provas, degustaçíµes de cerca de 70 produtores portugueses. Com lojas de doces e de vinhos, lounges de convivência. Quando: até dia 04, domingo DIA 20, TERÇA-FEIRA   Roberta do Rio abre sua loja com a coleção Power, com coquetel Onde: Rua Garcia d’ívila, 149 / sobreloja / Ipanema (Rio de Janeiro) Quando: a partir das 15h30 Como: tem manobrista! Assessoria Multifato DIA 22, QUINTA-FEIRA Venda especial para quem pretende viajar para o verão no hemisfério norte. As marcas Adriana Barra, Sardinha, Paula Vilas, Dominique Maison de Beauty, Wai Wai e Pura propíµem uma seleção para as férias Onde: Avenida Epitacio Pessoa, 1084 / Rio de Janeiro Quando: a partir das 15 horas DIA 23, SEXTA-FEIRA Desfile de final de curso da quarta turma de Design de Moda do Istituto Europeo de Design (IED), aberto ao público. Vale ver o que os novos estão inventando Onde: nas ruí­nas do antigo Cassino da Urca: Avenida João Luis Alves, 13 / Urca (Rio de Janeiro) Quando: a partir das 11 horas Como: grátis! DIA 28, QUARTA-FEIRA A multimarcasChoix recebe marcas peruanas patrocinadas pelo governo do Peru. Vamos ver as ideias de Mechecorrea, Sergio Davila e José Clemente. Seria tão bom se a ideias fosse copiada pelo governo brasileiro – ah, este eterno lado Poliana, que me persegue… Onde: na Choix / Rua Professor Artur Ramos, 181 – Jardim Paulistano (São Paulo) Quando: a partir das 17 horas DIA 29, QUINTA-FEIRA Lançamento do Projeto Zuzu, com a digitalização da coleção Zuzu Angel – Documental e têxtil, coordenada por Hildegard Angel. Também foi concluí­da a instalação de quatro reservas técnicas na Casa Zuzu Angel de Memória da Moda, com acervo catalogado dentro de padríµes museológicos internacionais. Quando: dia 29 de junho a partir de 18h30 Onde: Casa França Brasil / Rua Visconde de Itaboraí­, 78 / Centro (Rio de Janeiro) JULHO DIA 2, DOMINGO Começa a Fenin Fashion São Paulo, com os lançamentos da primavera-verão. Organização Expovest Onde: Anhembi Parque / Av. Olavo Fontoura, 1.209 / Santana (São Paulo) Quando: de 02 a 05 de julho, das 10 às 20h (no último dia, encerra às 17h) DIA 3, SEGUNDA-FEIRA Inspiração na leveza nas previsíµes do salão Inspira Mais Começa o Inspira Mais,salão de design e componentes, organizado pela Assintecal Onde: Centro de Eventos Pró-Magno – rua Samaritá, 230 / Casa Verde (São Paulo) Quando: dias 3 e 4 de julho de 2017 Como: entrada gratuita para profissionais do setor Inscreva-se:https://assintecal.sigevent.com/visitantes/formularios.php?id_edicao=11 Site:www.inspiramais.com.br DIA 11, TERÇA-FEIRA Começa a Fenin Fashion Gramado lançando o verão de mais de mil marcas, em 300 expositores. Organização Expovest Onde: Serra Park / Rua Viação Férrea, 100 – Tres Pinheiros (Gramado / RGS) Quando: de 11 a 15 de julho, das 10 as 19h (no último dia encerra às 17h)

Veste Rio / os 10 novos (1)

Mostrar um desfile de gente nova foi considerado um passo adiante no Veste Rio, segundo Daniela Falcão, super mega blaster editora diretora das revistas da Globo. Como o evento está em segunda edição, mantendo o pique de patches de salão de negócios, outlet, shows, workshops e palestras, o desfile forneceu uma possibilidade de imagem de moda, além dos batidos looks de rua. A ideia é antiga, começou no Fashion Rio, com o Rio Moda Hype, de Robert Guimarães e Fernando Molinari, e revelou muitos nomes para a moda brasileira. Agora temos a versão do Veste Rio, com 10 marcas com menos de cinco anos de atividade – cinco são do Rio, cinco de outros estados. Quem desfilou: G’Au (Lu Gerodem + Kelly Becker) – excelente mistura de artesanal – tricô, tapeçaria, crochê – sobre vestidos montados em barras o camadas, sobem coletíµes, xales, um fio de bolsas retangulares de tricô. Um simples pano artesanal jogado em um ombro já dá certí­ssimo. Um toque de humor nas sandálias de tirinhas com guizos Sissa (Alessandra Affonso Ferreira + Julian Stipping + Andrea Serra Madeira) : o forte é a estampa, mesmo começando com um macacão cru com pincéis no cinto e paleta nas mãos. Babados movimentam vestidos longos ou curtos. Floridos verdes, um padrão semi-onça e folhas. Linda, a calça de cós em faixa. Dispensável, o look verde militar, de grandes mangas. Luisa Farani: uma beleza, o trabalho da Luisa, a brasiliense que ganhou fama depois da Primeira Dama Marcela Temer escolher um vestido seu na butique Urtiga. Maior parte da seleção em cores claras, off, branco, rosado, babados cercando vestidos curtos ou longos. Um longo vermelho, com direito a cauda; outro longo preto, com tiras de acabamento desfiado. Nos pés, sandálias transparentes de solado tratorado branco Mocha (Lilly Taira + Ana Voss): faltou um pouco de coerência, talvez na ânsia de mostrar a versatilidade. Um bom macacão caramelo, longos em camadas, top quadrado e saia com folhas bordadas, lindo decote em X nas costas. Muito boa, a saia metalizada. Sapatos de soladão, cabedal em couro natural. Beira (Lí­via Campos): eba, eba, moda masculina! A princí­pio, estranha, parecem saias. Não: são calças largas e curtas, com tops quase camisetíµes, sempre com bolsos. Simples, ousado, em várias cores, do branco ao preto, passando por marrons, laranjas, etc. Bem vinda, Beira. Fotos Ines Rozario        

Agenda / papada e dança!

Marie ganha loja própria! 1. A Marie, marca jovem da Rudge, já tem endereço próprio. Acaba de levar seu estilo leve e meio BoHo para o Fashion Mall. 2. A promoção da semana no Dermagrupo é a i-Lipo, na região da papada. Oito sessíµes saem por R$ 2 mil até dia 29, sexta-feira. O tratamento estimula liberar o conteúdo adiposo na região abaixo do queixo. Quem aderir à promoção ganha quatro sessíµes de radiofrequência Dermagrupo: 21 3204-2521 / www.dermagrupo.com.br 3. Quarta-feira, dia 27: lançamento da coleção Urban Chic na Lutsy, das sócias Ana Luiza Tiago e Renata Lamarca. Além das peças das marcas mineiras Nana Kokaev, Renata Campos e Fabiana Milazzo, o coquetel vai contar com a presença da dermatologista Dra. Vanessa Metz, que apresentará as novidades da marca SkinCeuticals. As convidadas concorrem a sorteios de kits de produtos e tratamentos faciais. A partir das 17 horas na Lutsy (Lutsy: Rua Visconde de Pirajá, 371 loja 212 / 21 2513-4043) 4. Quarta-feira, dia 27: desfiles da Spezzato no Copacabana Palace. Primeiro, às 18h, a coleção da Spezzato Teen; depois, às 19h, a Spezzato. Nina Kauffman, nossa colunista na revista Almost Paper, convida. spezzato.com.br O espetáculo infantil “ Ritmo é tudo” faz parte do Dança Gamboa 5. Sábado, dia 30: começa o projeto Dança Gamboa, de Marcia Rubin e Cesar Augusto, no Galpão Gamboa. Além da dança contemporânea, o festival vai apresentar dança flamenca e de salão. Ingressos a R$ 20 (inteira), R$ 5 (para moradores dos bairros da Zona Portuária). Galpão Gamboa: Rua da Gamboa, 279 – Centro / 21 2516-5929 6. Até dia 30, sábado: continua a liquidação de móveis, tecidos e acessórios no Empório Beraldin, com descontos de até 70%. Os tecidos são lindos, inspiradores até para vestir! Emporio Beraldin: no Rio, na Rua Nascimento Silva, 330 – Ipanema Em São Paulo, na Rua Mateus Grou, 604

Fashion Night Out / Cia. Marí­tima

  Renata Kuerten estrela o desfile da Cia. Marí­tima Além do Fashion Mall e do Rio Design, há desfiles também no Village Mall, a pretexto da Fashion Night Out. A Cia. Marí­tima vem como o seu poder de elenco e coleção – só nas estampas são mais de 160 peças! Os temas do verão são os bichos, agora com as peles e penas com aspecto desgastado, e as listras, em três versíµes (tradicionais, irregulares e texturizadas), além do eterno floral Liberty. No elenco, as estrelas são Renata Kuerten (a barriga tanquinho mais invejada do circuito) e Bruna Traesel. Bruna Traesel também vai desfilar a coleção de biquí­nis com temas étnicos, listras e florais O desfile está marcado para as 16 horas, no belo terraço do Village Mall.

Um desfile especial

Um dos chapéus que vão completar um look do desfile No dia 11, quinta-feira, teremos um desfile que retrata o panorama da moda atual: o brechó Brechicafé vai mostrar na AABB parte do acervo de alta costura da Casa Canadá e de D. Mena Fiala, uma mestra da moda brasileira. É o contraste tí­pico da nossa época, que demonstra a longevidade da roupa de alta qualidade e a visão dos garimpeiros que agitam os estoques dos brechós da cidade. Léa Maria, uma das mais brilhantes editoras de moda com quem trabalhei como repórter e desenhista, escreveu o texto que relembra a importância de Mena Fiala. Desculpem, sempre tratei a estilista como senhora e dona – tinha que respeitar o talento! à esquerda, uma pelerine do acervo de Mena Fiala Mena Fiala:a moda dos Anos Dourados   Philomena Pagani Serelle foi uma moça filha de imigrantes italianos, de Petrópolis, que desde menina – juntamente com a irmã, Candida – se envolveu nas atividades de costura como era comum, entre as jovens, no iní­cio do século vinte. Quando garotas, as duas vestiam bonecas. Depois, mocinhas, faziam chapeus e trabalhavam no ateliê de costura de Marietta Pongetti, modista famosa de sua época, na cidade da serra. Quando Mena, como a chamavam os amigos, casou com o austrí­aco Anton Fiala mudou para o Rio de Janeiro. Conheceu então o empresário Jacob Pekils, dono de uma loja de peles e de roupas finas e, de 1934 em diante, sempre junto com Candida, passou a dirigir a empresa que sobreviveu, durante décadas, às transformaçíµes radicais e às rupturas dos hábitos, dos costumes, da polí­tica, das modas – em resumo, das grandes reviravoltas da História do Brasil. A Canadá só encerrou as portas, mais de 30 anos depois, e sempre sob sua administração, em 1966.   Mena Fiala é um dos í­cones da moda brasileira, precursora de um estilo de vestir que, mesmo com a forte referência a alta moda francesa, já mostrava a cara da elegância luxuosa, desenvolta e tí­pica do Rio de Janeiro – menos formal que a das paulistas, influenciada e liderada por outro í­cone da moda nacional, a uruguaia Rosita, com a sua etiqueta Madame Rosita. Em 1944 a Canadá se firmara como a primeira loja de alta moda no paí­s e fez o primeiro desfile.   Casaco com gola de pele, como se usava nos anos 1950 No salão decorado de tons de cinza da Canadá, no Centro da cidade, Mena começou a produzir os requintados desfiles de moda, à tarde, como ocorria, na época, nos salíµes da alta costura de Paris. Era um programa novo para as cariocas abonadas: as modelos, contratadas full time, permaneciam à disposição para passarem os modelos das coleçíµes para as clientes. Vânia Pinto (depois de casada, Vânia Badin); Norma Bengell, depois atriz e cineasta de sucesso; Adalgisa Colombo, depois miss Brasil; a bela Geórgia Quental, Maria Gracinda, Ilka Soares e a elegantí­ssima Lucia Curia, depois manequim exclusiva de Chanel, em Paris, e segunda mulher do empresário Walter Moreira Salles eram algumas dessas belas de classe média, as primeiras modelos profissionais que o Rio conheceu. Na platéia, os mais influentes jornalistas da época: as cronistas Malu de Ouro Preto e Elsie Lessa, Maneco Müller – o Jacinto de Thormes- e Ibrahim Sued. A mulher de Getulio Vargas, D. Darcy; D. Santinha, casada com outro presidente do paí­s, Eurico Dutra, e D. Sarah Kubitschek foram primeiras damas clientes de Mena e da Canadá, a loja que no seu iní­cio se notabilizara como um negócio de peles finas, a única na cidade onde havia uma geladeira especial para abrigar os visons (a pele da moda nos anos 50, frágil para o nosso clima tropical) das milionárias comprados na Europa ou aqui. Quando o costureiro Jacques Heim – então presidente da poderosa Câmara Sindical da Alta Costura Francesa – veio instalar sua maison no Rio, no roof da loja Mesbla, na Rua do Passeio, a clientela da Canadá dividiu-se entre Heim e os modelos trazidos de Paris por Candida, que, valentemente, voava para a Europa cerca de cinco vezes por ano num tempo em que ainda não havia avião a jato e as viagens eram muito mais longas e desconfortáveis. Após o fechamento da Canadá, as duas irmãs criaram a própria etiqueta, Mena e Candida e seguiram em frente, sempre com as fieis e elegantes clientes e, então, com as filhas delas se vestindo e se casando com as suas criaçíµes. Modelos de vestidos de passeio – tailleurs severos, os tomara-que-caia com boleros bem curtos -, o best seller inventado por Dior para consumir mais tecido, num esforço de pós-guerra, o new look. A cintura sempre de vespa, os drapeados à maneira de Mme. Grès, e outros, longos, fartamente rodados, com várias anáguas. Vários de noivas, luxuosos, bordados a fio de ouro ou com pedras, em cetins grossos, shantungs encorpados, failles armados, ou em lãs leves importadas, gabardinas e alpacas, eram autênticas obras de arte, de tão intrincada a sua confecção comparando-os com a estética da moda livre de hoje. Havia também os preciosos acessórios da Canadá. A maioria, vinda de Paris. Luvas de fina pelica (ou de cetim) de cano curto, médio e longo, essas abotoadas com dezenas de minúsculos botíµes. As meias finas de ligas novamente produzidas cuja fabricação havia sido suspensa durante a guerra, na Europa. As bolsas pequenas e estruturadas. As carteiras de seda precursoras das minaudières que ainda não haviam aparecido. E os chapéus, cloches e capelines de feltro e de palha Baku, com flores à moda dos que Ava Gardner lançava no cinema, nos filmes clássicos americanos. Naquela época, uma elegante não devia comparecer sem chapéu a um casamento, almoço, festa formal à tarde e nem viajar. D. Mena ensinou a toda uma geração de mulheres da elite brasileira como se vestir com a elegância da época. Morta há pouco mais de 10 anos, ela deixou como legado uma coleção histórica de trajos produzidos por ela e pela irmã Candida, e a marca,

Printing, super-brilho

Este é o terceiro desfile que vejo a Printing, e queria dizer que foi o melhor. Mas não foi, apesar dos belos tecidos antigos recuperados, o brilho dos bordados de pedrarias e cristais sobre partes da alfaiataria em fundos machados. Algo não funcionou, talvez no styling, talvez no clima rápido demais, que impedia que se admirasse os devorês e modelagens modernas. Foi brilho demais.