Casa dos Criadores / 54!

O jeans foi uma das estrelas da Casa dos Criadores, valente evento que neste 2024 chegou a edição 54 ocupando as ruas do centro histórico de São Paulo de 24 a 30 de julho. O tema Catarse serviu para mostrar as possibilidades de mais gente nova – sempre foi a especialidade da Casa dos Criadores, lançar novos talentos – como Lorraine Baas, Ofe Gallery e N7E * Recicled. O motivo do jeans ser a matéria mais vista no evento foi o patrocínio da Santista Têxtil que há 4 anos oferece tecidos para as marcas e para a oficina que direcionou o curso às comunidades trans. Segundo Sueli Pereira, gerente de comunicação e moda da Santista: â€œÉ importante apoiar o setor, não só para quem já está estabelecido, mas também para quem quer entrar no mercado. Essas pessoas têm desejo de conhecimento, de fazer algo que possam empreender e são pessoas que têm pouco acesso. Nossa ideia é continuar com esse incentivo†Quem fez o quê Alexandre Herchcovitch: coleção com inspiração urbana e praiana ao mesmo tempo, com foco na alfaiataria e tons como o preto, cinza e estampas vibrantes. Entre os artigos, o neoprene, seda pura, falso crochê e o jeans, ora em looks maximalistas, ora em peças coladas ao corpo. Destaque para o estilo vitoriano, dark, elementos fetichistas e vestidos camisola. Jorge Feitosa: denim limpo, com brilho e fibras nobres em capas e calças croppeds. O patchwork se faz presente em calças amplas em degradê de azuis e em vestidos com geometrias. Brilhos e elementos inusitados como garrafas e tesouras enaltecem a coleção. KEN-Gí: tecidos Zef Baby Blue e Eco Squash Colour, da Vicunha em peças românticas com babados e camisa com gola vitoriana ou conjuntos com blusas, calças ou saias com drapeados. Lorraine Baas: artigos da linha Work da Santista seguindo o upcycling para todos os corpos com efeitos useds, desbotes e manchados. Mockup: muitos rasgos e puídos, estampas a laser e peças como corsets e saias também para os homens. Destaque para a calça que ganha padronagem de flores, aplicaçíµes de estrelas e mistura de tecidos. A N/E * RECYCLED: apostou no vestido justo, em denim com barra desfeita, puídos e zíper frontal no corpete com alças. NotEqual: alfaiataria desconstruída com drapeados, pregas, dobraduras, volumes, calças soltinhas, jaquetas croppeds e saias longas, tudo no denim clean, somente amaciado e com fibras nobres. Sukeban: moda inclusiva com aviamentação, manchas no macacão ou no corselet e saia com pregas, vazados com tiras e estampas na calça black ou aplicação de pele e tachas cestavadas no conjunto colete e minissaia. A UMS: tecidos Musk BW e Sevilha da Vicunha e artigos da linha Work e Jeanswear da Santista. Colors com sobretingimentos em modelos cargo, peças utilitárias no black e sarjas acetinadas no vermelho da jaqueta e calça masculina. Estampas camufladas surgem com novo visual Vivão Project: abusa das resinas e amassados com efeitos de sujinho em trabalhos de lavanderia, além de desbotes em azuis e cinzas. Vou Assim+DCRLHS: moda colorida, divertida e com um mix de materiais onde entram o denim e o tule e o patchwork de tecidos reciclados Alexei: estampas lúdicasde Hello Kitty, ursinhos e páginas de jornais em diferentes técnicas. Mais uma vez o conceito do upcycling vem nas camisas com puídos e manchados e as calças pantalonas ganham ilhoses com amarração na cintura alta. Studio Traça: artigo Claire da Vicunha e trabalhou com marmorizados e o denim somente amaciado. Aqui entram vazados enaltecidos por zíperes e fivelas e botíµes coloridos, maxi jaquetas com passantes e tops e calças com franjas no jeans com aspecto raw. Guma Joana: aplicaçíµes de patches em denim ganham destaque na calça Vittor Sinistra: utilizou artigos da Tear Têxtil em calças croppeds com estampas a laser de mãos e elementos gráficos, que também surgem nos tops com fivelas. A sarja black ganha aspecto utilitário no colete e bermuda masculina Estudio Cena: o romantismo do corpete com babados no artigo Montjuic da Vicunha, no tom branco. Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Divulgação E mais: Devido a escorregíµes caseiro, sem fraturas mas com equilíbrio instável, não fui à Casa dos Criadores. Mas gosto de incentivar o evento criado pelo André Hidalgo, nem sempre com dinheiro ou apoios. Ainda bem que há quatro anos a Santista oferece tecidos para os participantes. Agradeço as informaçíµes de Vanessa de Castro / O IEMI – Inteligência de Mercado fez o insight da atuação do jeans em 5 anos, de 2019 a 2023. Em 2023, o segmento de jeanswear alcançou a marca de 280 milhíµes de peças produzidas, gerando uma receita na indústria de R$ 14,7 bilhíµes. Outro destaque do estudo foi o crescimento da distribuição da produção para o e-commerce, que aumentou em 10% em 2023 em relação a 2022 em volume de peças e em 60,7% nos últimos cinco anos. Este canal passou a representar 5,3% do total de peças distribuídas pela produção, e chegou a 3,9% do faturamento da produção.
Mais uma cidade da moda

Depois das semanas de desfiles europeias e a americana, em que os destaques não chegavam a 10 em cada cidade – Paris, Londres, Nova York, Milão – a chinesa Xangai foi alvo de coberturas dos sites internacionais, principalmente Vogue e WWD. No circuito da imprensa especializada, esperava-se que, do Oriente, as semanas de Hong Kong, Tóquio e Cingapura fossem as novas referências das tendências. E aí, de oito a 16 de outubro (nove dias, mais do que os eventos europeus e americanos!) vemos a primeira edição da Shangai Fashion Week depois de passadas as restriçíµes da Covid, com 1000 participantes, showrooms espetaculares e até uma moda de rua digna dos paparazzi mais exigentes. Além dos desfiles com propostas clássicas, conceituais ou extravagantes, há um senso de realidade de acordo com estes tempos estranhos. Edison Chen, um dos criadores mais ativos da China, comentou: “Não sabemos se nossas coleçíµes vão vender. Mas estamos apresentando o nosso trabalho.”. A prova da vontade de atender a uma clientela menos milionária é o empenho em aumentar a faixa de preços, começando a oferecer peças mais baratas. Importante nas coleçíµes chinesas: crochê, malhas metálicas (mesh), cores delicadas ou vibrantes, saias evasês, década de 1990, figurinos de cinema, pretinho básico, ainda muito jeans. Tradição, minimalismo e genderless. Vejam alguns destaques citados pelos grandes sites internacionais. COMME MOI: marca da modelo Lu Yan, apoiada pelo Chenfeng, o grupo mais poderoso da China, celebrou 10 anos de trabalho com uma apresentação para mil convidados. Muito jacquard e crochê metálico em preto e branco, couro luxuoso e alfaiataria para as elites urbanas locais. Inspiração: anos 1990. EDISON CHEN: celebrou 20 anos de sua marca Clot convidando grifes nacionais e internacionais – como Tommy Hilfiger – para reinterpretar seu logo. Apresentou a colab com a Adidas, sandálias de palha e muito estilo athleisure (atlético urbano). A colaboração com a Adidas vai além do design de roupas: Chen vai trabalhar no Innovation Lab baseado em Xangai, para que a marca alemã entre em contato com os talentos locais. “Esperamos descobrir de cinco a oito nomes que nos representem. Atualmente temos o projeto Earn your stripes (ganhe suas listras, referência às listras da Adidas). Se surgir um artista plástico, vamos montar uma exposição; se for um fotógrafo, ele será escolhido para fotografar o catálogo. “ ICICLE: marca com 26 anos estreou na SFW (Shanghai Fashion Week), mostrando vestidos inspirados em pipas, trenchcoat transparente e um terno assimétrico em tom de névoa de verão. A francesa Bénédicte Laloux é a diretora de criação. SHUSHU/TONG: Inspiração na série Big Nude, do fotógrafo Helmut Newton levou a dupla Lei Liushu e Yutong Jiang a usar rendas como base para esculpir modelos que são ao mesmo tempo sensuais e modestos. Segundo os autores, o sonho das suas garotas é ser uma boneca que adora a bolsa com um laçarote borboleta e os óculos enfeitados com pérolas. XU-ZHI: Taoismo e os ensinamentos do ying-yang são as bases da elegante série de franjas de plumas de avestruz, camisas masculinas com paetês e minissaias bordadas com miçangas. Lindo trabalho OUDE WAAG: marca de Jingwei Yin, aluno do Royal College of Art. Inspiração na cultura Ama, das mulheres japonesas que mergulham buscando pérolas. Drapeados em alfaiatarias e vestidos lembram as texturas das cascas dos moluscos abalones e aplicaçíµes imitam as pérolas. É uma grife cara, mas mostrou moda de praia com estampas gráficas com preços razoáveis. Vale a pena ver o video. https://www.youtube.com/watch?v=8YxR9nQ4kpE LOUIS SHENGTAO CHEN: semifinalista no prêmio do grupo LVMH, apresentou a coleção Orgasmic em um armazém histórico de um Banco com vista para o rio Bund. Vestidos em tecidos amarrotados ou com muitos cristais Swarovski, um rosto preenchendo um modelo. “Além do prazer sexual, é um caminho entre auto-conhecimento e auto-evolução”, explicou Shengtao Chen, que lembrou do filme “Silêncio dos Inocentes”. MARK GONG: reinterpretou o figurino de Samantha Jones do filme Sex and the City, que ele assistiu quando tinha 11 anos. Principalmente a cena em que ela perde o lance de um anel de brilhantes para o namorado. O resultado é a coleção perfeita para executivas, que também acham que uma mulher deve comprar suas próprias joias. Nos destaques, pretinhos transparentes, tricôs franjados, um minivestido de paetês vermelhos, uma saia com a letra M do logo e um look de jeans com correntes de metal. Tudo, com lindas meias e muita bijuteria. Gong estudou na Parson’s. PONDER.ER: Alex Po e Derek Cheng ganharam um prêmio como melhor marca genderless e encaram a primavera/verão de 2024 como a busca pelo seu próprio paraíso na Terra. Elenco inclusivo, muito jeans combinado com crochê HAIZHEN WANG: ganhou o prêmio francês Fashion Fringe e renovou o pretinho básico com técnicas de Madeleine Vionnet e Madame Grès, visando encantar a geração G chinesa. DANSHAN: é baseada em Londres, assinada por Danxia Liu e Shan Peng Wong, que se dedicam à moda masculina. A coleção fala com os “tristes modernos e o guarda-roupa que estes românticos partilham com seus amores”. Em um cenário de quarto, os modelos atuavam como se estivessem em um sonho, vestindo camisetas, regatas e hoodies de cetim, chifon e tule. Adorei. JACQUES WEI: a locação já serviu para o desfile da Hermès, um galpão no jardim da casa da família Sheng, da dinastia Qing. Wei imaginou uma noite de verão com novas possibilidades e muitas paixíµes. Peças de Arte da sua coleção, plantas e animais vistos em pinturas orientais e a colaboração com o artista contemporâneo Jiang Cheng foram as bases da coleção nas cores do sol das três horas da tarde e dos lírios na fonte, quando visitei o jardim. Destaque para os colares de jade em forma de flores, pássaros, peixes, da iconografia chinesa. SHIE LYU: um pouco história de terror: ela esfaqueou borboletas que colecionava! “A faca representa perigo e nitidez, as borboletas, tentação e grandeza. Fui atraída por esta beleza de colisíµes”. E lá foi a Lyu inventar jaquetas de couro e tweed, borboletas em tops e corpetes, saias de sereia e
Richelieu, a estrela da Fenacce

O Ceará reforça a posição de estado lançador com a realização de mais um evento importante: a quinta edição da Feira Nacional de Artesanato e Cultura do Ceará (Fenacce). O tema é Arte de toda Parte, o que inclui o desfile Do sertão ao mar, assinado por Thaty Rabelo, conhecida como rainha do jeans. Ivanildo Nunes, um dos designers brasileiros mais brilhantes e originais, vai desfilar a coleção Digitais, em parceria com o Senac. Ivanildo é mestre em assinar peças com richelieu, bordado executado por 15 artesãs de Maranguape. O lançamento do Fenacce será amanhã, terça-feira, dia 12 de setembro. E a Feira acontecerá de 26 de setembro a 26 de outubro, no shopping Iguatemi Bosque, em Fortaleza. A entrada é solidária, com a doação de 2 kg de alimentos não perecíveis: vale a pena, para ver o trabalho de 320 expositores, shows e a beleza da apresentação de 1.500 artesãos. Sorte de quem estiver em Fortaleza neste período. Prestem atenção nos horários da Feira: Dia 26/09: das 17 às 22 Dias 27 a 29: das 14 às 22h Dia 30: das 10 às 22h Dia 1º/10: das 10 às 20h Shopping Iguatemi Bosque: Av. Washington Soares,85 / Edson Qurioz / Fortaleza (Ceará)
Pés na ífrica

Muito bom receber notícias por amigos e companheiros de eventos. Zeca Santos, o Zequinha de 1m90, foi ao Quilombo do Grotão, em Niterói, assistir ao lançamento da coleção Utopia das Ancestrais Negras, assinada pela Liana d´Afrika, ou melhor, Liana Souza. O fot[ógrafo e editor do site <tevejoaqui.com>, voltou entusiasmado pelas roupas, acessórios e toda a história do lugar. Tecidos africanos, cores fortes no algodão, estampas lembrando tribos, tudo vestido por amigos da Liana, gente famosa não por serem modelos, mas por atividades variando entre professoras, passistas, enfermeiras, escritoras, garçom, mecânico, estudante todos de pé no chão, com cabelos e maquiagem a cargo da Ellen Barbosa, do Salão Swellen. Nos acessórios, destque para as peças criadas por Cris Carneiro, da marca Bijoux Africa. Vale dar uma conferida completa na publicação do Zeca Santos, pelo link no final desta edição. Todas as fotos são do Zeca Santos <https://tevejoaqui.com/2023/08/15/liana-dafrica-lanca-colecao-em-solo-sagrado/>
Agenda de maio

Na agenda deste mês, a São Paulo Fashion Week e a Alessa canta 51 Carnavais
Agenda a partir de abril de 2023

Vai ter Giselle no Theatro Municipal! Vejam mais ali na agenda, à esquerda. Tem palestras maravilhosas uma hora antes de cada espetáculo
Beepfit, fitness de Cabo Frio

Nada como um bom evento para descobrir novas modas. O ID RJ rendeu boas pautas. Já falei dos produtos autorais do lado de fora do espaço Cantareira. Agora detalho a Beepfit, marca que já se chamou Qart, nascida e criada na Rua dos Biquínis, em Cabo Frio. Fabricia Costa é a fundadora, a marca tem 15 anos de moda fitness. A coleção vista no ID RJ mostrou os recortes, entalhes, sobreposiçíµes, cores alegres. Muito rosa, laranja, preto pra equilibrar. São peças também para quem não curte exercícios, só quer algo prático e leve para vestir. Mas uma série chamou muito a atenção: as bolsas! Grandonas, daquelas que levam a roupa que a executiva vai vestir depois da academia. Cestas, para a praia. Minis, cruzadas, com lugar para chaves, documento e celular. Muito bonitas e versáteis, as bolsas da Beepfit. Quanto: um top de recortes de tule e mescla R$ 99 Leggings começam em R$ 149 O top sobreposto R$ 139 Bolero de mangas R$ 99 E um belo casaco corta vento, R$ 289 A Beepfit tem e-commerce, entrega em todo país. Procurem o endereço certo em Beep Fit Brasil, no Facebook ou em http://www.qartfitbrasil.com.br/
20 convidadas para o estilo único da modista catarinense

O Rio de Janeiro continua lindo e atraindo olhares. Ou servindo de fundo para lançamentos. Um exemplo é a catarinense Claire Juliani, que vem de Joinville para mostrar sua Blend Collection no Copacabana Palace, o hotel mais clássico do Brasil. Claire se intitula modista intuitiva, começou há 24 anos trabalhando em conserto de roupas. Este começo deve ter ajudado a desvendar segredos de modelagem e construção e ajudou a formar um estilo que desmistifica a moda em suas peças exclusivas.. Esta coleção é uma collab com a jornalista e vice-prefeita de Joinville, Rejane Gambin e a psicóloga Adriana Silvestre. Vinte convidadas vindas de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e daqui mesmo, do Rio, terão a oportunidade no lançamento de avaliar parte dos 300 modelos que compíµem a Blend Collection.Aproveitando materiais e tecidos colecionados ao longo de 20 anos, Claire propíµe peças únicas, sem reposição. O bom é que, além de avaliar e apreciar as estampas, longos e chemises, as convidadas poderão comprar seus preferidos, para exibir como peças únicas (preços de R$ 498 a R$ 4998) assinadas pela modista de Santa Catarina. Mais uma brasileira de talento que usa o Rio como vitrine. Nas fotos, a vice-prefeita Rejane Gambin em pontos cariocas.
PatBO: desfile em NY para verão 2023

Patricia Bonaldi não se intimida com a comparação de seu estilo com os dos colegas internacionais. Certa da beleza de seus modelos que combinam sensualidade, luxo e a riqueza do artesanato de bordados e recortes, pela quarta vez ela frequenta a semana de Nova York, que rola nesta semana. Franjas longas, jeans ricos e muitas maneiras de ser transparente no look são destaques da coleção influenciada pelos anos 1960 e 1970; As cores são marcantes, o preto e branco continuam importantes, e o jeans colabora com seus tons como base para detalhes coloridos. Como ícones de referência, Catherine Deneuve e Twiggy. O desfile foi no Surrogate´s Court, no dia 10 de setembro (ontem!). E sua apresentação está dentro da agenda do CFDA (Conciul of Fashion Designers of America). A partir de novembro de 2022 algumas já estarão nas lojas. Atenção aos sapatos da Arezzo, que serão lançados no Brasil em outubro Fotos: Leo Faria e Christy Barley / makeup Stilla / cabelos Hair Cutler / styling Caitlin Burke E mais: além da capacidade de participar de uma semana de moda internacional, na agenda oficial, Pastricia Bonaldi conta com a Index, eficiente assessoria de imprensa, que enviou o material do desfile no mesmo dia da apresentação! . s.
Dragão Fashion 2022: final

Pode ter sido o cansaço? A expectativa de um show no encerramento? Acontece muito, este tipo de sensação de frustração no último dia de uma semana de moda. Por mim, aconteceu também no final do Dragão Fashion Brasil, em Fortaleza. E tem mais: acontece a maluquice de depois, pensando bem, até que passaram coleçíµes interessantes. Talvez a comparação com os outros dias, com conteúdos espetaculares, nos levasse a esperar algo estrondoso. Vamos ao que fez a agenda: Fuxicos e pregueados deram a graça no desfile dos universitários da Potiguar Concurso dos universitários: destaco o trabalho da faculdade Potiguar, que escolheu a historia de Marias, mulheres bravas e guerreiras. A escolha do fuxico como técnica artesanal encantou em tons de cru ao marrom, em calças com uma perna pregueada e outra com as aplicaçíµes de fuxico; o hoodie camuflado, o longo com as aplicaçíµes sobre transparências. E principalmente uma calça de fuxicos esparsos, que levantou murmúrios de “esta eu quero” na primeira fila. Biquinis e longos em folheados na Sau Swim Sau Swim: meio misturada na edição, um vestido preto longo de alcinhas entre um biquíni de pastilhas brancas e uma calça preta correta ou um body em ouro velho. Bonita, a série final de vestidos em folhas verticais. Ué, não era Swim, de moda praia? Longos com rostos pintados em homenagem a artista cearense, na Rendá Rendá: efeitos de plumas, cristais brilhando, longos plissados, modelos em degradês do fúcsia ao verde. Diga-se de passagem, um dos poucos stylings com sapatos corretos. Sobre o richelieu, flores pintadas ou apenas uma manga no bordado, boa proposta. No final, longos com figuras como o rosto da Mona Lisa e outros retratos, homenagem ao artista plástico Vando Figueiredo. Desfocada, a foto mostra o longo de barra franjada e a garrafinha de Pitu levada pelo cara de branco Marina Bitu: plissês e franjados alternados com sanfonados movimentaram a coleção. O ouro fosco em calça e túnica, as túnicas franjadas masculinas e femininas. A graça do patrocínio da cachaça Pitu nas luvas. Mas é difícil apresentar as ideias no último dia, ficou a impressão que a Bitu precisa de mais prática de evento. Da Baba, a estampa estilizada lembrando o pied-de-poule na Baba e o ítem do momento: o chapéu bucket prata da Baba Baba: sabem que deste eu gostei, já na hora? O tema Do outro mundo foi explorado com humor. Em jaquetas curtinhas com calças coladas, em aspecto neoprene branco com buckets ouro ou prata (mais um murmúrio de “eu quero”), um casal que, de longe, parecia vestir pied-de-poule da cabeça aos pés, mas era uma estampa estilizada. As calças jeans são interrompidas por cintos nas pernas, há estrelas e discos voadores. Até o texto do release é divertido, contando histórias de ufos e ficção científica. Um exemplo, a citação da Pedra da Galinha Choca, na cidade de Quixadá, point de observação de visitantes alienígenas. Pode, este nome de Galinha? Pior, que dá curiosidade de ver de perto kkk (ou cócócó) Final do Senac Richelieu por Ivanildo Nunes Senac Richelieu por Ivanildo Nunes: podia ser o tal final espetacular, por reunir estas duas atrações, Ivanildo e o richelieu. Só que, coerente com o trabalho do autor, o bordado veio todo em preto, em peças que não ativaram sentimentos consumistas. Faltou show, marcação, clima que dessem o devido valor ao belo trabalho do Ivanildo. E mais: impossível acompanhar o Dragão da cauda à última labareda. Só corri da sala 1 para a sala 2, garantindo lugar. E passei de olho comprido nas sandálias do Seleiro, vi a seleção da Nordestesse. Soube que havia um torneio de beach tennis, um pavilhão de redes, shows em palco na areia e sabe-se lá quantas delícias deixei de provar. Quanto à qualidade das minhas fotos, feitas com meu Samsung, se devem à eterna ânsia de postar rápido. As fotos perfeitas estão em vários sites e blogs, instagrams, tiktoks, com a assinatura da Roberta Braga e do Claudio Pedroso, fotógrafos do Dragão. E tem os vídeos no YouTube! A volta foi longa, saindo do hotel Sonata (recomendo, pela gentileza dos funcionários, vou postar no Trip Advisor) às 3h50, para pegar o voo de 6h10 da Latam para São Paulo. Só que o 739 estava com probleminhas técnicos, que segundo o comandante seriam resolvidos em 10 minutos. Decolamos quase uma hora depois…perdi o voo SP/Rio, aflita sem saber se a mala despachada chegaria. Deu tudo certo: depois de algumas idas e vindas pelos portíµes de embarque, fui praticamente puxada para o próximo voo. E a mala chegou direitinho. Só um detalhe: antes de embarcar, comprei um chocolatinho, uma barrinha, qualquer coisa para distrair a fome. Eu comprei uma bananada, que foi uma festa no meio das três horas de Fortaleza a Congonhas
Surpresas e decepçíµes no Dragão de sexta

Tenho vindo ao DFB Festival há alguns anos, ao longo das ediçíµes cultivei favoritos, claro. Procuro seguir toda a agenda de desfiles, correndo da sala 1 para a 2 (calculei cerca de 500 lugares cada uma). Em geral, me alegro com o povo novo, raramente acho que alguém se descuidou do conceito ou da produção. Mas desta vez… Vamos aos shows: Concurso do universitários: na primeira seleção o trabalho do SENAC Sergipe, desde os leotards completamente rebordados e coloridos até os cabelos, presos em rabos em bolas, se destacou. O tema religioso da FB Uni trouxe belas variantes de possíveis noivas, com grinaldas ou auréolas feitas de peneiras. A Santa Marcelina usou o tema Matula nos looks cheios de informação, destacando panos de crochê com pérolas aplicadas. Elas se desprendiam, deixando um rastro de pérolas na sala. Acontece, são alunos que começam a decifrar a confecção. BananaUrbana: uma ótima estreia, inovando no jeans com tingimento, detalhes em tiedye desbotado. Desde a base do cinco bolsos até o vestido curto, de saia de babados, o que não é jeans tem a interferência do dourado, como no bucket em ouro fosco. Destaque: o look de skate Hand Lace: outra novidade excelente, com jeito no limite do clássico, mas inovadora nos vestidos e saias quase aventais, as peças trabalhadas em triângulos recortadinhos, os biquínis cavados com sutiãs estruturados e cavas altas. Destaque: o modelo com alças largas cruzadas nas costas David Lee: como é bom acompanhar uma evolução séria como deste cara vindo de comunidade, que investe em Arte como inspiração ou informação para quem assiste. Até agora (ainda temos a agenda de hoje, sábado) foi a melhor ambientação, despertou a curiosidade de saber o autor dos stabiles e dos chapéus móbiles, feitos por Narcelio Grud. Lembrei da arte cinética do Abraham Palatnik, nestas horas agradeço ao professor Mário Barata, na faculdade de Belas Artes. David usou crochê em sutiãs femininos, muito amarelo nos looks masculinos, aplicou pingentes coloridos em calças. Só estranhei a camisa listrada masculina com um buraco no meio: seria para exibir tatuagens? Maravilha, os tops de cabeça, movimentados como móbiles. Theresa Montenegro: outra estreante, já com experiência de loja própria. Definiria o desfile como inesperado. Começou simples, com saias minis, tons de rosa, terninhos com aberturas na cintura. De repente, pirou! Mostrou uma série lembrando Paco Rabanne, um lote de bodies rebordados, colados no corpo, longos também luxuosos bordadissimos! Acho que o fato de ser varejo deu esta liberdade diversificada à Theresa. Kallil Nepomuceno: fiquei meio perdida com o trabalho deste que é um dos meus favoritos. A edição sem coerência misturava masculinos de tops com pérolas com a estampa de quadrados estilizados, coloridos nos conjuntos com esvoaçantes capas, no meio quase nem se notava o hoodie em listras de crochê ou o paletó amarelo com bermuda. E no final, Kallil me aparece de bermuda! Nem sei o que eu esperava, mas queria o Kallil que sempre declarei que era uma boa razão para vir para Fortaleza. Olê Rendeiras: o que você imagina como técnica de rendeiras? Renda renascença, richelieu, bilro, filé. Daí, que este foi o desfile mais difícil de descrever, quase me atraquei com as modelos para ver se entendia como as peças eram feitas. Pantalonas, vestidos em losangos, um casaco lindo, bege com barras castanhas. Na saída, a pergunta era unânime: era renda, crochê, tricô, afinal? Depois alguém me explicou que o fato da marca se chamar Rendeiras não impedia que fizessem outras técnicas. Então tá, né? Seja o que for, deu certíssimo. Mais alcance: No princípio, Cláudio Silveira queria focar na moda autoral e nos novos. Nesta edição, depois de dois anos de isolamento, o Dragão abre o caminho coerente, incluindo o Giga Mall no evento. Em 2023 este será um grande shopping de atacado, em Messejana, a 15 minutos do centro de Fortaleza. Um passo que vai incluir um espaço para a moda autoral mostrar suas propostas junto com grandes marcas.
