Agenda a partir de julho de 2026

JULHO DIA 1º, QUARTA-FEIRA Festival de…gaita de foles! Com participação de músicos internacionais e dias com acréscimo de harpas. A agenda está logo abaixo Onde: SESC Flamengo: rua Marquês de Abrantes, 99 / Flamengo (Rio de Janeiro) O grupo coreano Enhypen se apresenta no Brasil. Atenção ao cantor Park Sung-hoon, 23 anos, 1m80 de talento Quando: dia 04 de julho às 21h Onde: Allianz Parque: rua Palestra Italia, 200, Água Branca (São Paulo) Como: ingressos de R$ 634 a R$ 1.067, com meia para idosos. No <viagogo.com.br> DIA 05, DOMINGO Começam as apresentações da Capella Musicale Pontificia Sistina, instituição de canto coral mais antiga do mundo, com 600 anos de atuação no Vaticano. Será uma turnê de repertório de canto gregoriano até música do século 20, incluindo o Miserere, de Gregorio Allegri, mais tarde transcrito por Mozart (na época com apenas 14 anos). Vejam a agenda da turnê deste coral de 24 cantores adultos e 30 meninos, tudo com entrada grátis, sujeita à lotação dos lugares:: São Paulo –Catedral Metropolitana de São Paulo (Catedral da Sé) | 5 de julho de 2026, às 13 horas. Brasília – Catedral de Brasília | 09 de julho | 19:00 horas. São Paulo – Sala São Paulo | 14 de julho de 2026 | 20:30 horas APRESENTAÇÕES EXTRAS / CONCERTOS Campinas — Catedral Metropolitana de Campinas | 3 de julho | 18 horas. Curitiba — Capela Santa Maria Espaço Cultural | 6 de julho | 19:30 Rio de Janeiro — Igreja Nossa Senhora da Paz em Ipanema |10 de julho| 19:30 horas Além dos concertos acima, o grupo realizará concerto para convidados em comemoração aos 80 anos da PUC-SP, no TUCA. DIA 6, SEGUNDA-FEIRA I Coleção Maison Margiela HC 2026 Começam os desfiles da Alta Costura de inverno 2026/27 Quando: de 06, segunda-feira a 09, quinta-feira de julho de 2026 Onde: Paris (França) DIA 11, TERÇA-FEIRA Começa a DW _ Design Week com a feira Rosenbaum Quando: de 11 a 16 de agosto de 2026 da Onde: Casashopping: Av.Ayrton Senna/Barra da Tijjuca (RJ DIA 13, QUINTA-FEIRA Abre o Moda Prime Off, com marcas famosas e novas com descontos de até 70%. Quando: de 13 a 23 de agosto de 2026 Onde: São Conrado Fashion Mall (RJ) Abre a exposição Demons in Fragile Bodies, com obras de Andy Vilella e Gerben Mulder, curadoria de Victor Gorgulho. A realização é da NND / AZECO Quando: vernissage 13 de agosto de 2026 às 17h.Aberta a visitação até 10 de setembro de 2026, de quarta a sábado, das 22 às 18h Onde: Tropigalpão: R. Benjamin Constant, 118, Glória, Rio de Janeiro – 1º e 2º andares Visitação: quarta a sábado, das 12h às 18h DIA 21, QUARTA-FEIRA A FIG e Flavia Martorelli apresentam as coleções do Couro Premium Quando: de 21 a 22 de julho de 2026 Onde: Windsor Marapendi Hotel: Av. Lucio Costa, 5400 / Barra da Tijuca (RJ) DIA 23, QUINTA-FEIRA Lançamento da nova galeria do Museu Virtual do Rio Memórias (Rio na Moda), criada pela curadora Carolina Casarin, que estará em debate com Isabela Capeto e Ligia Parreira. Quando: dia 23 de julho de 2026, das 18 às 22h Onde: Mercado Central: rua do Senado 46 / Centro (RJ) AGOSTO DIA O4, TERÇA-FEIRA , Começa a 6ª edição da Rio Innovation Week, super evento ocupando 90mil metros quadrados com 35 palcos, três mil palestrantes, 400 expositores e duas mil startups, em uma programação que inclui temas como o clima, as cidades do futuro, Pop & Tech, Bem estar. Quando: de 04 a 07 de agosto de 2026 Onde: Pier Mauá: Av. Rodrigues Alves, 10 (Rio de Janeiro) Quanto: passaporte: R$ 643,50 (parceláveis em até 12 vezes); ingressos diários R$ 450. Vendas até 07/08 Informações em <rioinnovationweek.com.br> Dentro da programação da Rio Innovation Week está o Rio Ethical Fashion, um dos melhores eventos relacionados à moda como movimento ético e sustentável. Criação de Yamê Reis com painéis ocupados por nomes como Carlos Ferreirinha, Oscar Metsavaht, Marina Caruso, Fernando Pimentel, Lucas Rodrigues, Gringo Cardia, Lilian Pacce e André Carvalhal Quando: dias 05 e 06 de agosto de 2026, das 10h30 às 19h30 Onde: Pier Mauá, dentro da programação da Rio Innovation Week: Av. Rodrigues Alves, 10 (RJ) DIA 05, QUINTA-FEIRA Lançamento da coleção da Flor de Lis. com o Bella Essenza Meeting, em Ipanema DIA 18, TERÇA-FEIRA Andre Carvalhal lança o livro Moda e Vida, em parceria com a Linus. Quando: a partir das 17h Onde: Linux Ipanema: rua Visconde de Piraja 547 (RJ) DIA 20, QUINTA-FEIRA Live Costura como um Ato Político, com Alzira Andrade e Paula Vannier Quando: dia 20, quinta-feira, a partir das 20h Onde: @vannier.paula SETEMBRO DIA 22, TERÇA-FEIRA Começa a 35ª edição da Casacor Rio, com o tema Mente e Coração. Evento organizado e dirigido por Patricia Mayer e Patricia Quentel. Integrado no movimento Reviver Centro, dentro da primeira edição da Semana de Arte e Cultura do Rio. Quando: de 22 de setembro a 15 de novembro de 2026 )nde: edifício Aliança da Bahia: rua Araújo Porto Alegre, 36 / Centro (Rio de Janeiro) DIA 28, SEGUNDA-FEIRA Começa a semana de desfiles femininos para o verão 2027 Quando: de 28, segunda-feira de setembro a 10, terça-feira, de outubro de 2026 Onde: Paris (França) OUTUBRO DIA 1º, QUINTA-FEIRA Abre para visitação o Morar Mais Rio Quando: de 1º de outubro a 15 de novembro de 2026 Onde: em uma casa modernista na rua Osório Duque Estrada, 75 / Gavea (RJ) DIA 28, QUARTA-FEIRA Show do BTS. Ingressos a partir de R$ 1.486 Quando de 28 a 31 de outubro de 2026 Onde: Morumbi, estádio Cicero Pompeu de Toledo (SP) NOVEMBRO Show da turnê The Last Will & Testament, da banda sueca Opeth, do metal progressivo. É apresentação única, promovida pela Mercury Concerts Quando: portas abrem às 19h Onde: Espaço Unimed: rua Tagipuru, 795/Barra Funda (SP) Como: ingressos pela <eventim.com.br/opeth>. Preços a partir de R$ 350 (inteira) e R$ 175 (meia) para a pista. DEZEMBRO DIA 20, DOMINGO Xuxa estrela O último voo da nave Quando às 19h Como: ingressos desde R$ 208 a R$ 820. À venda na <viagogo.com.br> Onde: Estádio Maracanã (Rio de Janeiro) ,
Agonia e êxtase na Arte da moda

Como definir a Alta Costura? Já foi uma exibição de costura artesanal, vista por plateias milionárias, que talvez se interessassem pelas roupas feitas sob medida em tecidos exclusivos. Os desfiles eram em salas pequenas, com passarela ou tapetes. Uma funcionária da Maison anunciava o número de cada modelo, para facilitar a escolha das clientes. Às vezes o número era acompanhado pela descrição da roupa, qual era o tecido ou o estilo. Em resumo: quase um ritual. Nas poucas vezes em que vi uma apresentação destas quase morri de tédio. A partir dos anos 70, quando a semana do prêt-à-porter ganhou força, a HC (Haute Couture) passou por uma fase, mais fantasiosa, baseada em 20 nomes estabelecidos na lista da poderosa Chambre Syndicale da moda de Paris. Pairava a eterna ameaça de extinção deste tipo de roupa conceitual. Quem salvou? A compra de várias marcas tradicionais parisienses pelos grandes grupos empresariais. Como quem produzia os conhaques e champanhes da linha Moët Hennessy, que virou o LVMH e o pessoal do Kering, antigo PPR, de Pinault, Printemps, e o catálogo La Redoute. Substituíram os titulares originais por jovens alunos de escolas londrinas e as marcas abriram um setor mais exclusivo: o luxo. E agora? A lista de participantes pode chegar a 30, incluindo os tradicionais e os aspirantes a entrar neste universo que exige um mínimo de 20 a 30 artesãos, um ateliê em Paris e uma coleção de pelo menos 20 looks, entre modelos para dia e noite. Os convidados devem participar por quatro anos, até serem admitidos na lista oficial. E o que é visto atualmente nas coleções? Primeiro, os desfiles têm como concorrentes os convidados e celebridades fotografados no backdrop, o painel que equivale aos tapetes vermelhos americanos, com os logos das marcas ou dos patrocínios. Cada marca importante tem seus embaixadores que representam o estilo. A moda agora é contratar atores como Song Kang (Loewe), Park Bo-gum (Céline), a maioria da Coréia do Sul. Em segundo, há uma busca de emoção, algo além das sugestões de roupas exclusivas e das pesquisas com novos tecidos desenvolvidos até em 3D em impressoras.. Quase feio Definitivamente, ninguém quer mais saber de perfeição, de acabamentos primorosos. O que predomina é o conceito waki sabi, a filosofia japonesa que preza a imperfeição, a falta de acabamento, o quase feio. Em segundo lugar, há a emoção que inclui as trilhas dos desfiles e segue pelos conceitos inspiradores das coleções. Por exemplo, que tal ter Agonia e Êxtase inspirando Daniel Roseberry na Schiaparelli? O livro (também tem o filme, dirigido por Carol Reed) do Irving Stone sobre Michelangelo, na fase do teto da Capela Sistina, se transforma em roupas de recortes, relevos que parecem serpentes, tecidos com jeito de verniz, mas fluidos. A peça básica é o corpete, o corselet. E muito branco, lembrando que é criação para o inverno 26/27. Uma bela coleção, do ponto de vista criativo. Se Agonia e Êxtase parece pesado, a inspiração pode ser mais infantil. Como os contos de fadas que Matthew Blazy andou lendo e misturou com referências nas coleções da própria Chanel. Mas tudo renovado: o tweed pode ser feito de jeans, as calças podem ter bainhas desfiadas, inacabadas.os sapatos podem ser em forma de galinha, ovos, bichos de fábulas. Como no prêt-à-porter, Blazy usou ráfia e plumas dando margem para o lado conceitual. Foi mais um belo desfile Chanel. Outro “novato” que está acertando o passo com a Dior, Maison onde trabalha, é o Jonathan Anderson. Sinceramente o que foi aquele primeiro desfile prêt-à-porter no ano passado? Nesta Alta Costura Anderson deixou de lado os volumes estranhos, investiu em amarrados, nós, drapeados e plissados. Também com barras desfiadas, bordados com fios soltos, inacabados – talvez para valorizar o trabalho das bordadeiras?- e até a revisão de peças originais do Christian Dior, como o famosos tailleur Bar, o que deu origem à expressão New Look. Cristóbal Balenciaga foi um grande designer, verdadeiro arquiteto da moda. È difícil continuar sua Arte. Ainda falta alguma pesquisa por parte do Pierpaolo Piccioli para cumprir esta missão quase impossível. O que ficou mais evidente foi a série de vestidos pretos com punhos e golas brancas, as cores marcantes como o verde e principalmente o roxo. Muito branco e preto como gostava o Mestre espanhol. Uns detalhes a mais: o desfile foi em um jardim, modelos passanbdo em volta de um canteiro circular, a plateia sentada em volta, em círculo, em bancos coletivos. SEM ENCOSTO, aquela maldição para as lombares dos convidados. Mas a música era boa, um cover de Perfect Day, do Lou Reed. Yves Saint Laurent não desfilou. Maison Margiela preferiu mostrar a coleção em Xangai. E a tal lista de participantes abriu para o mundo. Já tivemos Ocimar Versolato desfilando na Alta Costura nos anos 1990 e Gustavo Lins ainda consta da lista oficial da Câmara Sindical. E esta Arte da moda continua firme, enquanto a Fast Fashion luta para sobreviver. Porque a Alta Costura não pretende vender. É a expressão da criatividade de quem trata roupa como escultura, pintura, poesia e teatro.
agenda a partir de maio 2026

DIA 6, QUARTA-FEIRACris Roberto lança a coleção outono/inverno. Vamos ver se teremos novos tênis queridinhos! Quando: a partir das 14h Onde: Rua Henrique Dumont, 68 / Ipanema (RJ) DIA 13, QUARTA-FEIRA Começa o Lifestyle Contemporâneo Talks. Com curadoria de Edu Santos e Deny Peres, o encontro faz parte da programação da primeira edição da São Paulo Innovation Week. O foco: comportamento e os novos códigos do luxo contemporâneo. Entre os participantes estão Karla Marques, Ju Ferraz, Ricardo Tozzi, Patrícia Vieira, Lalá Noleto, Gkay, Antonela Braga, Helena Lunardelli, Ana Paula Torres, Rodrigo Bocardi. Quando: dias 13 e 14 de maio de 2026 Onde: São Paulo DIA 19, TERÇA-FEIRA Dia de Doação de Leite Humano. Vale até o fim do mês. O Brasil tem a maior rede de bancos de leite do mundo. A marca Nuk lança uma série de aparelhinhos para fac ilitar a retirada do leite DIA 23, SÁBADO Edição do projeto Goiás Cidade Estelar, iniciativa que permite que moradores e visitantes contemplem o céu durante a Lua Nova. O Instituto Biapó em parceria com a Catedral de SantÁnna ,o Planetário e o Clube de Astronomia Cecília Payne da Universidade Federal de Goiás (UFG),promovem a observação com telescópio motorizado de 20cm de diâmetro Quando: a partir das 19h Onde: no pátio da Igreja Santa Bárbara, em Goiás, cidade a 140 km de Goiânia (Goiás) DIA 24, DOMINGO Guilherme Tavares, estilista conhecido pelo talento de criar moda com sustentabilidade, apresenta a ccoleção GT Upcycle Woman, unindo alta costura e alfaiataria All Black. Vestidos longos, ternos, calças, sobretudos, decotes, fendas, caudas e silhuetas marcadas compõem a coleção. Quando: domingo, dia 24 de maio de 2026 Onde: no Palais de L´Europa, em Menton, na Riviera francesa, durante o Festival de Cannes (França) DIA 26, TERÇA-FEIRA O desfile Métiers d´Art da Chanel será em Seul, apresentando a primeira coleção que celebra o artesanato e as tradições da Maison francesa, com a assinatura de Matthieu Blazy. O local deve ser o prédio 63, famoso pelos 63 andares e pela fachada dourada, que terá uma filial do Centre Pompidou (de Paris) a ser inaugurada no dia 04 de junho. Quando: terça-feira, dia 26 de maio de 2026. Portanto, antes da abertura do Centre Pompidou, onde deverá ser o desfile Onde: no 63 Square, prédio localizado na ilha de Yeouido, às margens do rio Han. Dentro, há shopping, cinema, galerias de arte e restaurantes. Em Seul (Coréia do Sul) Começa o Rio2C, maior encontro de criatividade da América Latina. Vejam informações na abertura desta agenda Quando: de 26 a 31 de maio de 2026 Onde: Cidade das Artes: Avenida das Américas, 5300/Barra da Tijuca (RJ) JUNHO DIA 21, SÁBADO Festas juninas no Memorial da América Latina. São esperadas 80 mil pessoas, dispostas a comer cinco toneladas de derivados de milho, pamonhas em versões doces e salgadas, curau, areroz doce, paçocas, broas e pastéis. Quando: dias 20 e 21 de junho de 2026, sábado e domingo Onde: Memorial da América Latina: Avenida Mário de Andrade, 664 Portões 8, 9 e 13 – Barra Funda. Ao lado do metrô Barra Funda / São Paulo (SP) Como: entrada grátis DIA 25, QUINTA-FEIRA Começa a 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto Quando: de 25 a 30 de junho de 2026 Onde: Praça Tiradentes | Centro de Artes e Convenções da Ufop | Cine-Museu – Anexo do Museu da Inconfidência / Ouro Preto (MG) JULHO DIA 6, SEGUNDA-FEIRA I Coleção Maison Margiela HC 2026 Começam os desfiles da Alta Costura de inverno 2026/27 Quando: de 06, segunda-feira a 09, quinta-feira de julho de 2026 Onde: Paris (França) SETEMBRO DIA 28, SEGUNDA-FEIRA Começa a semana de desfiles femininos para o verão 2027 Quando: de 28, segunda-feira de setembro a 10, terça-feira, de outubro de 2026 Onde: Paris (França) OUTUBRO DIA 28, QUARTA-FEIRA Show do BTS. Ingressos a partir de R$ 1.486 Quando de 28 a 31 de outubro de 2026 Onde: Morumbi, estádio Cicero Pompeu de Toledo (SP) NOVEMBRO Show da turnê The Last Will & Testament, da banda sueca Opeth, do metal progressivo. É apresentação única, promovida pela Mercury Concerts Quando: portas abrem às 19h Onde: Espaço Unimed: rua Tagipuru, 795/Barra Funda (SP) Como: ingressos pela <eventim.com.br/opeth>. Preços a partir de R$ 350 (inteira) e R$ 175 (meia) para a pista. , . .
Valentino / minhas lembranças

No começo dos anos 1970 a editora Gilda Chataignier me convocou para a cobertura da Fenit (Feira Nacional da Indústria Têxtil) em São Paulo. Como desenhista do caderno feminino, eu percorria sozinha os espaços, registrando as novidades. Até que vi uma porta aberta para uma sala escura, cheia de gente sentada. Entrei, fiquei em pé, de boca aberta: era um desfile de casacos longos, vermelhos, as modelos com adereços de pele na cabeça. Naquele momento soube o que queria fazer da vida: acompanhar maravilhas como aquele desfile Foi meu primeiro Valentino, que decidiu meu futuro profissional, esta paixão pela moda como Arte. Depois do impacto em São Paulo vi em 1980 outra coleção dele. Naquela época Valentino ainda não participava do calendário oficial da semana de Paris Sua apresentação era às 18h, a fila A só tinha jornalistas americanas, pouca ou nenhuma francesa! E eu, reporterzinha brasileira, também na primeira fila! O estilo era Western, com muito branco, desde as botas até os casacos. Um longo vermelho no final O mais engraçado é que muita plateia fazia questão de ir, porque quando acabava a moda, era aberto um bufê de cascatas de camarão e fatias de salmão. Enquanto isto, rolava algum desfile oficial, provavelmente vazio, longe da beleza e da recepção do talentoso italiano em uma sala no Bois de Boulogne. Valentino vendeu a marca. Os designers que assumem até mostram talento. Mas nenhum tem a personalidade do Garavani. Sabem aquele que tem torcida? Na platéia, esperávamos a entrada dos vermelhos, do elenco, do estilo da beleza. Ah, um toque a mais: para mim, foi o melhor brinde dos eventos. Em cada lugar havia um release e…uma fita cassete com a trilha do desfile! Vai dar saudade do discreto, ao mesmo tempo, audacioso homem eternamente bronzeado, sempre de terno e gravata, sorridente.
Brasil em Paris

Tules, saias longas, acessórios chamativos fizeram parte do desfile da Off White, uma homenagem a Virgil Abloh, que fundou a marca e partiu desta vida em novembro, mas ainda deixou pronta esta coleção Spaceship Earth (nave Terra). O que chama a atenção é a participação das modelos brasileiras no elenco: Laís Ribeiro, Carol Trentini e a novinha Raynara Negrine. Além delas, Cindy Crawford, Naomi Campbell, Gigi Hadid, Bella Hadid, Kendall Jenner, Helena Christensen, Candice Swanepoel e até a tenista Serena Williams também desfilaram. Na plateia, Rihanna e Pharrell Williams com a família (é o autor de Happy) Quem são nossas meninas Laís Ribeiro veio do Piauí com seu 1,90m anunciado no seu desfile de estreia, no Fashion Mall. No que cruzou os ares em direção às mecas da moda, mostrou o corpo perfeito como Angel da Victoria´s Secret. Deu uma parada devido à pandemia, mas voltou com tudo para as salas parisienses. Carol Trentini é um furacão, já deve ter desfilado para todas as grandes marcas. Quando começou, em São Paulo se destacava pelo andar cool. Agora a gaúcha loura fez Nova Iorque, Milão e promete gastar as solas dos sapatos em Paris. Sempre no maior bom humor, nunca se negou a conversar com jornalistas. A mais novinha, de apenas 18 anos, é a capixaba Raynara Negrine, que já tem experiência nos shows internacionais. Olha o show: https://www.youtube.com/watch?v=j8cgg3k4rGw (***começa em 32m30s) E mais: quem vi em Paris, nos elencos: Betty Lago, uma favorita em NY, Milão e Paris; Gisele Bündchen, que causava frisson até nas editoras francesas, quando passava em Dior com aquelas caracterizaçíµes loucas e as colegas de fila e da frente perguntavam pra mim se era ela que entrava; Carla Souza Lima, lembro que vestiu uns looks de uma coleção quase toda azul, não lembro de quem, acho que um Cerruti; Andrea Müller, versátil, elegante, tipo da modelo perfeita, discreta; Isabeli Fontana, linda, só não identifico os muitos desfiles que fez. Devo estar esquecendo alguma estrela, me falha o nome de uma pioneira, morena, chic, que fez muito Saint Laurent. Afinal, circulei nestas semanas desde 1981, praticamente empurrada pelo fotógrafo Marcio Madeira. Ele perguntava, “afinal, vai quando pra Paris?”
Gente nova, jovem e competente na Rochas

Há quanto tempo a Rochas não sacudia suas raízes elegantes? Era sempre um tal de tailleurzinho, cardigan, cashmere, vestidos bem comportados. Enfim, acho que a contratação do Charles de Vilmorin, 24 aninhos, vai dar um ar muito novo para esta grife. Ele lançou sua primeira coleção autoral durante a semana de Alta Costura e logo foi convidado pela turma da Rochas. Por que ele inova? Porque tem um jeito próprio de criar: quando as roupas ficam prontas, ele amassa, pinta, senta em cima e ainda espera uns dias até que a tinta escorra e seque. Foi o que ele fez na sua marca. Vamos ver o que fará da Rochas, na coleção de primavera, no segundo semestre. Sabem o que me lembrou o resultado deste processo? As obras do Romero Britto… Além do talento que chama a atenção, Charles tem outra ligação com a grife fundada por Marcel Rochas: sua tia-avó, a novelista Louise de Vilmorin, era amiga da Hélène Rochas, que tomou conta da marca depois da morte do marido Marcel. Só espero que Charles mantenha acesa esta maneira louca de criar. Isto aproxima a moda da Arte, e é o melhor caminho para segurar uma grife nestes tempos de pouco consumo.
Liquidação em…Paris

Eu sei que está difícil pensar em pegar um Air France (aquele maravilhoso, que decola no fim da tarde, do Galeão), que Paris está também em períodos de fechamentos gerais, lockdowns e restriçíµes de horários noturnos. Mas é sempre animador, dá uma esperancinha de volta a um mundo normal, saber que no dia 20 começa a liquidação de inverno da Galeries Lafayette, no Boulevard Haussmann, seguindo até 16 de fevereiro. Será um vale tudo, com descontos de até 70% em artigos de moda, beleza, casa e espaço gourmet Não sei se a filial da Tour Montparnasse também liquida. Mas antes dos saldos de inverno, no dia 18, segunda-feira, a loja na esquina da Chaussée d´Antin abre vitrines e uma pop-up store da Prada sob a cúpula neobizantina. Melhor ainda: lá serão vendidos produtos exclusivos da cobiçada marca italiana! Não acaba aí: no dia 05 de fevereiro começam os lançamentos de Primavera/verão com o tema Nature Urbaine. Os produtos, em meio ao ambiente de cores alegres, foram criados para dar ideia de liberdade de movimento, corpo e pensamento. Este tema da Natureza urbana é um convite para assumir uma nova postura para celebrar a vida a céu aberto. Vamos torcer para que o convite seja aceito e a vida possa ser celebrada, depois destes meses de medo e confinamento.
Estamos sem Kenzo

Mal soube da notícia da morte do Kenzo, corri para postar. Facebook, Instagram, Twitter. Pronto, os rápidos foram bem. Faltava o site e o blog, estes merecem fotos exclusivas. Horas de pesquisa, e nada no site. São tantas alterações a atualizações, que o trabalho desde os anos 1990 some. Antes que a ira deixe cega, lembro dos inúmeros CDs e DVDs com fotos da Marina Sprogis e da Ines, devidamente guardados e rotulados. Um detalhe: atualmente, os smartphones servem para todo tipo de comunicação. Poucos ainda usam computadores e notebooks. iPads ficam para os joguinhos das crianças. Assim, a não ser que seu computador seja ainda a manivela, ele não tem…entrada para CD e DVD! Não é maravilhoso, o progresso? Antes que a raiva me impeça de sentir a falta do Kenzo, vou em frente e lamento sua partida, provocado por este vírus pandêmico. O que me lembro do Kenzo Takada: Foi o primeiro japonês a trabalhar em Paris. Abriu caminho para Comme des Garçons, Yohji Yamamoto, Issey Miyake e muitos outros talentosos asiáticos. Era tão copiado (principalmente no Brasil) que não convidava brasileiros, fazia microdesfiles sem anunciar o local, os seguranças da Place des Victoires tiravam o filme das câmeras (ainda eram com filme) de quem fotografava as vitrines da butique Mas era maravilhoso, pelo mix de Japão e Paris, os quimonos estilizados com saias plissadas transpassadas (tínhamos que ter, na época, Christiane Fleury, Glorinha Kalil e eu éramos orgulhosas usuárias destas saias. A minha, perdi numa infiltração mega em casa, que acabou com metade do closet). A butique era a Jungle Jap. Acreditam que um empresário carioca chegou a abrir uma igual, com o mesmo logotipo, em plena Barata Ribeiro? Durou pouco, claro, não era franquia de verdade. Kenzo fazia moda masculina em linho, ternos e calças perfeitas, em cores que iam do branco ao preto, passando por tons de rosa e amarelo, lindos. Dois grandes desfiles: um, em um chateaux que seria chamariz para um condomínio fora do centro de Paris. Tivemos que ir de trem suburbano, aventura. noturna. O outro, da despedida, de quando vendeu a marca para o grupo LVMH. Foi uma espécie de retrospectiva do trabalho. Ele apareceu e declarou que agora ia se dedicar às viagens. Segundo sua assessora (caramba, esqueci o nome, era ótima), na manhã seguinte a este desfile, ele ligou desesperado, dizendo que tinha feito uma merda, que não sabia o que faria da vida sem a moda Alguns anos depois, ainda ganhando bem graças aos perfumes, me convidou para ver sua nova marca, de moda praia e roupas leves. Tinha outro nome, acho que era Takada. Confesso que foi emocionante ser recebida naquele apartamento lindo, decorado com o jeito dele, com tapetes de zebra, jarros orientais, flores e cores fortes. Demorou um pouco e lá veio ele, todo sorridente. Mostrou a coleção, era bonita, fresca, estampada com flores. Mas parece que vendeu pouco, ou houve problema de produção, só sei que nunca mais se ouviu falar. Kenzo ainda circulou pelo mundo, veio à São Paulo Fashion Week, muito tímido, já um senhorzinho de paletó de tweed. Uma pena, esta partida de uma pessoa tão especial, tão genial e criativa. Quem ainda tem peças dele, que guarde bem, longe de acidentes domésticos, cupins, traças e outros destruidores das fragilidades da moda.
A Arte de Clare Waight Keller na Givenchy

Uma artista plástica portuguesa – Helena Almeida _, os filmes franceses que não fazem sucesso de bilheteria, enfim, o que se chama de Arthouse, inspirou a inglesa Clare Waight Keller na coleção Arthouse Beauty, na Givenchy. Alfaiatarias amplas, blusas trabalhadas, bordados de miçangas e plumas, aparecem em preto, branco, cereja, tabaco, vermelho amarronzado e cobalto colorem as peças. Nos acessórios, a bolsa GV1 vem em couro escovado ou camurça tricolor. O modelo Antigona lembra uma trouxinha inflada ou pregueada de lenço de seda estampado. Nos sapatos, plataformas e amarrados. Joias de corpo, como pendentes de pérolas. ’
Alta Costura entre auto-referências e Lacan

Coquetéis em jardins ensolarados, convidadas caindo nos paetês, sol até na hora dos desfiles das 20h30: é a semana da Alta Costura de Paris, que se encerra na quinta-feira, dia 05, com um desfile de joalheria. Para quem sempre aposta no fim destas coleçíµes de luxo, vale conferir que atualmente há 38 apresentaçíµes – ok, são 36 grifes, já que Chanel e Giorgio Armani fizeram dois desfiles, para atender ao grande número de convidados. Lugares e auto-referências O novo tailleur Chanel, o vestido inspirado em Catarina, a Grande, de Yamima e o quimono Art Nouveau de Yumi Katsura Nesta edição a preocupação com detalhes típicos da moda, como cores e cortes deu lugar a referências com lugares e cidades. Se Karl Lagerfeld homenageou Paris, onde chegou da Alemanha aos 18 anos, em Yamima a musa foi a Rússia, principalmente Catarina, a Grande. Yumi Katsura celebrou os 160 anos de amizade entre França e Japão, se inspirou na arte de Gustav Klimt (que reproduzia quimonos nas obras), Maria Mucha e Emile Gallé (dois ícones da Art Nouveau). Muitos babados no modelo celebrando 25 anos de Viktor & Rolf, o look sem teto de John Galliano para Maison Margiela e o bicolor da Givenchy Outra fonte de criação foi o próprio currículo. Como fez a dupla Viktor & Rolf, que mostrou uma bela série de modelos brancos, quase angelicais, para comemorar 25 anos de trabalho. Ao mesmo tempo, há uma retrospectiva no Kunsthall de Roterdã, na Holanda, país natal de Viktor Horsting e Rolf Snoeren. E em matéria de auto-referência, seria impossível competir com o que John Galliano fez para a Maison Margiela. Lembrando a coleção que assinou para a Dior em 2002, em que se inspirava nos sem-teto, mostrou roupas com aberturas, saias vestidas ao contrário, muito velcro em lugar de botíµes. “Atualmente, somos todos nômades, as ruas continuam sendo fontes muito importantes de criação”, comentou em uma coletiva. A inglesa Claire Waight, reverenciada pelos patrícios ingleses depois de produzir o vestido de Meghan Markle, quando casou com o Príncipe Harry, focou na obra de Hubert de Givenchy, autor original da Givenchy. Luxo e conceito A sensualidade da grife britânica Ralph & Russo, os cristais da Swarovski para Gianbattista Valli e a noiva de Georges Hobeika Giambattista Valli apostou no luxo: pelo menos no modelo com o apoio da Swarovski, onde brilhavam mais de três mil cristais. Em lugar de tanto brilho, Pier Paolo Piccioli cobriu com longas capas e quimonos seus looks de calças, saias douradas e bordados figurativos, ao som de árias de ópera no Hotel Salomon de Rothschild. Um show de estilo, simples nos modelos quase todos com bolsos e nos penteados variando de rabos-de-cavalo a suntuosos apliques à la leonne, como se usava nos anos 1960. Na plateia, o próprio Valentino Garavani, emocionado. Grupo da Dior, assinado por Maria Grazia Chiuri (foto Emma Summerton / Divulgação Dior) E um destaque conceitual, além de John Galliano, tem que ir para Maria Grazia Chiuri, que na Dior recorreu às definiçíµes de Alison Bancroft, autora do livro Psychoanalyses and Fashion. Ela associa, em sentido lacaniano, “a alta costura a um modo de expressão dos movimentos de vanguarda, reapropriação de práticas seculares rejeitadas pelo desejo de novidade e a reinterpretação da tradição por meio de valores contemporâneos”. Mais do que um dos suntuosos vestidos da Alta Costura, o livro da Alison Bancroft é indispensável para quem curte moda como arte além dos cabides e desfiles. Fashion and Psychoanalysis está à venda na Amazon.com, com entrega para o Brasil. Como livro de texto, para desktop, iPad ou celular custa US$ 14,95; capa dura, por US$ 78,93; capa mole, US$ 23,40. Compatível com todos os tipos de Kindle. Esta reportagem foi publicada no caderno B do Jornal do Brasil, na edição de sábado, dia 07 / 07/2018
Birman em Paris. No Ritz!

A moda muda, mas Paris também muda bastante, a cada temporada de desfiles. De repente, some um restaurante (o Bistro Romain de Montparnasse, por exemplo), fecha uma loja, uma galeria (a Gaitê, na avenue du Maine) parece desabitada. Pensam que é só no Brasil que a crise afeta tudo? Dizem que o presidente Macron está todo contente com a política econômica do Trump, porque os americanos voltam a turistar em Paris. Ele deveria notar também a quantidade de brasileiros por aqui. Pelo menos um demonstra estar muito bem ambientado: Alexandre Birman. Simplesmente, seu lançamento foi em um dos salíµes do jardim do hotel Ritz, na Place Vendôme. É o tipo de hotel em que os porteiros barram quem não parece vestido de acordo, não tem cara de hóspede. Sem tempo de voltar ao hotel, fui direto para lá, com meu casaco doudoune (aquele todo acolchoadinho) da Uniqlo (rede japonesa com preços razoáveis). Pois não só fui efusivamente cumprimentada pelo porteiro, como levada até metade do caminho por um gentil acompanhante do hotel. Não foi aquele caso de seguir até o final, para garantir que tivesse bom comportamento, apenas indicou a direção e desejou bonne journée (bom dia). Tirando este acolhimento raro, chegamos ao salão onde Alexandre era absorvido por ma pessoa de casaco de peles, plumas, sei lá mais o que. Nas prateleiras e paredes, uma coleção linda, desde os sapatinhos de veludo com amarrados até as boots com pompons de pele, passando por uma mule perfeita, de python. Virou quase uma coletiva, de tanta gente atrás do cara, com celulares e câmeras de video. Entre as declaraçíµes, a de que um dos sapatos será usado por um atriz na noite do Oscar. Precinho do papatinho: seis mil dólares. Não tá bom? Lugar lindo, muita gente, coleção luxuosa. E no centro da moda no mundo, Paris. Falou, Alexandre Birman. E mais / desta vez parece que levam mais a sério a segurança na França. Abre-se a bolsa para ser revistada com detector de metais em todos os lugares. Bom, eu estava com um guarda-chuvinha na bolsa e ninguém falou nada / o tempo melhorou. Hoje estava de 11 (positivos) a zero, com entremeios de chuvinha e bastante sol e céu azul / nas ruas, todos de preto. Nada mais prático / nas plateias, mulheres de 1,80m ainda por cima calçam sapatos de salto 12! Desfile de alemão é um muralha de gente enorme. Os homens estão de calças mais curtas, sem meias. Devem congelar as canelas
